Por que a situação na Defesa pede Aldo Rebelo?

Por que a situacao na Defesa pede Aldo Rebelo
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Por Fernando Mendonça – A gravidade das ações de vandalismo provocada por Bolsonaristas em Brasília, no dia 08 de janeiro de 2023, acenderam um alerta quanto ao perigo na passividade nas ações contra a radicalização. A par das considerações psicossociais, o movimento de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro mostrou uma vertente agressiva e disposta a enfrentar a própria democracia. Uma disposição que acaba por trazer perturbação à ordem social, algo que convoca a ação das Instituições, afim de preservar nosso regime democrático. E aqui sim, cabe um papel das Forças Armadas, não de subverter o regime democrático, tão penosamente conquistado em nosso país, mas sim de se portar como uma guarda constitucional, que zele pela democracia.

Não cabe condescendências com aqueles que não entendem esse papel e tentam desviar as Forças de Caxias de sua nobre missão, outorgada na Constituição de 1988. Todavia, é inegável a tentativa de infiltração ideológica de nossas Forças com ideias que subvertem esse papel. Tal infiltração é complexa, demandando uma ação altamente sofisticada e precisa de desmantelamento, o qual fogem da competência daqueles que ou não tem um conhecimento profundo da instituição militar brasileira ou demonstram algum tipo de empatia com quem propaga e defende ideias antidemocráticas.

A escolha de José Múcio, neste momento atual Ministro da Defesa do novo Governo Lula, se deu no meio de um intenso debate. Poucas vezes, a indicação de um Ministro da Defesa suscitou tanto debate na opinião pública. Tal inquietação se justificava, o novo ministro da Defesa teria uma missão profunda e complexa de combater essa tentativa de intoxicação ideológica, que para muitos, podem inclusive ter interesses de grupos econômicos antinacionais como fomentadores.

E tal combate se iniciaria justamente com o desmonte de uma ação organizada de protesto permanente contra o resultado das eleições presidências de 2022. Nas quais questionavam não só a lisura do pleito, mas também reclamavam aos militares um papel intervencionista sobre as eleições brasileiras. Uma excrecência sem nenhum respaldo constitucional. Foram mais de 70 dias de acampamentos espalhados pelo país, em frente aos quartéis exigindo uma ação golpista, algo desde sempre rechaçado pelas Forças Armadas, todavia alimentada por alguns subversores da ordem. Estes que utilizavam uma narrativa falsa “de que as Forças Armadas iriam salvar o Brasil” de algum regime totalitário. São milhares de brasileiros que são bombardeados com todo tipo de informação enganosa, fake news, criando a ilusão nesses brasileiros de um viés golpista nas Forças.

Há uma clara demonstração que essa infiltração ideológica é ordenada e estratégica, podendo, acaso não devidamente combatida, gerar uma confusão nas mentes de nossos militares acerca do seu papel constitucional.

Esta ação de infiltração é complexa e age totalmente baseada em uma estratégia pensada na atual modelagem comunicacional de nossa sociedade. Uma modelagem que rompe com o monopólio dos grandes grupos de mídias tradicionais e “empoderam” o cidadão comum como o próprio produtor de conteúdo, os quais muitas vezes não obedecem aos padrões éticos que buscam nortear a imprensa. Uma modelagem que trabalha tanto no sistema “um-a-um”, com uma comunicação direta entre os cidadãos, como na multifacetação da sociedade, com a criação de grupos de interesses “individuais”, cada vez mais específicos, que se formam de acordo com o “interesse” que provoque engajamento nas pessoas. É o conceito de “web”, “rede”, que se afirma na sua excelência: individualidades que se conectam e formam um coletivo altamente descentralizado e capilarizado que agem em prol do seu interesse “individual”. Paradoxal? Porém eficiente e real. E é fomentando esse tipo de modelagem, com grupos e listas de transmissão em aplicativos como whatsapp e telegram, comunicadores instantâneos que reservam a privacidade daqueles que buscam participar desses grupos, que esses perturbadores da ordem buscam infiltrar sua ideologia golpista. Mas qual interesse por trás desses grupos fomentadores? É em busca dessa resposta que urge a institucionalidade brasileira se debruçar.

Um trabalho árduo, que exige um perfil de Ministro da Defesa, aquele que faz o grande diálogo direto entre o governo constituído e o comando das Forças, um perfil que não se encontra, definitivamente, em José Múcio. Não tanto por conta do seu não tão amplo conhecimento do funcionamento da estrutura das Forças, o qual daria ao ministro os atalhos necessários para identificar aqueles que tentam provocar a intoxicação, mas sim, por conta da sua já demonstrada empatia com aqueles que já abraçaram a narrativa golpista.

O perigo dessa “empatia” é o de subestimar a gravidade da situação e não entender os radicais pelo o que eles são: radicais. E, pior: antidemocráticos e golpistas. A leniência na manutenção dos acampamentos golpistas, em nome de uma solução “amigável”, defendida por Múcio, no fim, deu tempo para que “o ovo da serpente fosse chocado”, causando os atos lamentáveis de janeiro em Brasília. Em nome da narrativa de que “seriam apenas cidadãos de bem pacíficos, inclusive tenho conhecidos ali”, se permitiu que milhares invadissem os prédios dos três poderes da República e causassem todo tipo de depredação. O min. Múcio não ligou o alerta, não tomou as medidas necessárias, pegando de surpresa nossas instituições com as cenas veiculadas no dia 08 de janeiro de 2023. Após todo esse ato de vandalismo, sugerir uma GLO, uma ação de militares, que ainda estão sob esse ataque ideológico nesse início de Governo, para retomar “o controle” da situação, mostra que o presidente Lula deve repensar sua nomeação.

Diante da grave crise institucional, não há que se falar em medidas incertas ou paliativas, não se pode mais errar. O ex-ministro da Defesa, Aldo Rebelo, desponta como o nome hoje mais preparado para essa função. Com missão primeira de combater essa infiltração ideológica e reforçar o papel constitucional democrático das Forças. A gestão de Rebelo a frente do Ministério da Defesa, entre 2015 e 2016 é, até hoje, altamente elogiado inclusive pelo generalato. Aldo não só conquistou a confiança do comando das Forças Armadas, como promoveu um processo de valorização da defesa poucas vezes visto. Aldo, em seu livro “O Quinto Movimento” ressalta o papel histórico dos militares na construção do país, em diversas áreas. E como eles devem ser fundamentais na defesa da democracia e do Estado de Direito, assim como é nas grandes nações do mundo.

Portanto, seu conhecimento íntimo das Forças Armadas e seu conhecido comprometimento com a ordem democrática, traz no ex-ministro uma figura interessante e chave para o posto. Ideologicamente, Aldo tem tido opiniões firmes sobre a construção do Brasil, tendo visões que agregariam ao debate do atual Governo, o qual claramente se demonstra necessitado de pensadores estratégicos acerca da reconstrução do Brasil diante desse desafio que a extrema-direita impõe. Não só no Brasil, mas em diversos países do mundo.

Aldo, além de sua reflexão sobre a nossa soberania e desenvolvimento, tem se cercado de pessoas quem tem se debruçado sobre o funcionamento dessa modelagem comunicacional da nossa sociedade. O funcionamento dessa nova teia social brasileira, tem sido fruto de importantes reflexões de Rebello. Reflexões que muitas vezes causam inquietações, suscitam debates de opiniões, algo sempre valorizado por Lula em seu governo. Aldo e Lula são velhos conhecidos, um conhece os defeitos e qualidades do outro, sabem as expectativas e anseios de cada um. E Lula não duvida do comprometimento do nacionalista de Aldo. É uma escolha de segurança e confiança, o qual nossos tempos pedem a Lula.

Por Fernando Mendonça

Jurista. Especialista em Direito Público.