Prefiro Ciro, o verdadeiro candidato verde-amarelo

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Escrevi sobre a potência do novo slogan da pré-campanha de Ciro Gomes, ‘Prefiro Ciro’, que aponta para uma síntese do espírito do tempo político no Brasil ao unificar todas as faixas do espectro partidário que não querem nem Lula, nem Bolsonaro.

Mas existe mais um aspecto estético que salta aos olhos na identidade visual do jingle, das projeções nos prédios, nos adesivos, nas bandeiras e camisetas dos militantes ciristas: as cores da bandeira do Brasil, o verde-amarelo. Essa ênfase não é fortuita, e expressa um valor ideológico central de Ciro Gomes, do PDT e da tradição trabalhista no Brasil: o patriotismo.

Entre as várias perdas do povo brasileiro nas últimas décadas – a pilhagem imperialista das riquezas naturais, o aprofundamento da dependência econômica, a submissão à hegemonia cultural estadunidense, as violações da soberania política do Brasil – está a das cores do pavilhão nacional, sequestradas pela antipolítica, epifenômeno da crise estrutural do capitalismo (ver Crise do Pós-Modernismo e ascensão da Revolta Irracionalista).

A transformação das cores da bandeira do Brasil, e em especial da camiseta da Seleção Brasileira de futebol, em símbolos da antipolítica tem a ver com a cooptação das massas por dois novos atores sociais. Primeiro, o autoritarismo judicial lavajatista e depois, o populismo de extrema-direita bolsonarista. Ambos resultaram da insatisfação de vasta camada da população com o marasmo econômico-social da desindustrialização durante os governos petistas, que encenou seu teatro nas famigeradas “Jornadas de Junho de 2013”, e se cristalizou como enfraquecimento da legitimidade representativa dos poderes políticos eleitos.

Portanto, o verde-amarelo tem ficado atrelado ao ‘moralismo de goela’, como diz Ciro, de Bolsonaro. Fernando Haddad, o candidato-poste de Lula, que chegou ao segundo turno em 2018, buscou fazer um transformismo radical da estrela vermelha petista para o verde-amarelo que foi rapidamente percebido como mero oportunismo eleitoreiro pela população. E era mesmo, tendo em vista que o PT desde sua fundação se coloca teórica e politicamente contra a tradição nacionalista do Brasil.

Ciro Gomes e o PDT, por outro lado, sempre foram os mais radicais defensores da soberania e dos símbolos nacionais. Em 2018, na última campanha presidencial, a identidade visual da candidatura trabalhista misturava as cores do partido, o azul e vermelho, com as cores do Brasil. De lá para cá, a juventude partidária do PDT tem feito um trabalho de agitação magnífico ao levar às ruas, não apenas a bandeira do Brasil, mas a memória de Getulio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, particularmente em São Paulo, a terra da contra-revolução de 1932 e do pensamento uspiano antinacionalista.

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Portanto, o esforço semiótico da pré-campanha trabalhista não é artificial ou arbitrário, pois expressa a recuperação do mais importante símbolo nacional para o campo da centro-esquerda pela tradição trabalhista herdeira da Revolução de 1930, a despeito do hegemonismo petista e o cosmopolitismo antinacional do autodeclarado “maior partido de esquerda do mundo”.

Simplesmente não pode existir nacionalismo sem a bandeira da pátria. O que não é o mesmo que chauvinismo ou ‘patriotada’. Chauvinismo é o nacionalismo xenófobo, baseado no ódio aos estrangeiros e outras nações, e não tem nada a ver com amor à pátria, principalmente na periferia do capitalismo. Já a ‘patriotada’ é a utilização oportunista de símbolos nacionais a serviço de interesses estrangeiros, como fazem os grandes meios de comunicação oligopolistas nos eventos esportivos ou na degeneração cultural mercadológica de nossas tradições.

Para um país subdesenvolvido como o Brasil, o nacionalismo é o único caminho para o desenvolvimento e a justiça social, sem qualquer ódio a outros povos, principalmente às nações irmãs da América Latina e do Sul do mundo. Pelo contrário, o aprofundamento de parcerias econômicas, relações diplomáticas multilaterais e integrações culturais mútuas, são essenciais para todos os países em busca do desenvolvimento contra a submissão ao imperialismo das grandes potências centrais, inclusive das emergentes como a China que quer comprar soja, carne e ferro baratos e nos vender produtos industrializados. O imperialismo não é apenas a violência bélica, mas a própria relação econômica de dependência tecnológica e intercâmbio desigual, portanto, somente uma política externa independente, como a proposta por Ciro Gomes, pode garantir a inserção do Brasil na geopolítica e no mercado mundial de forma soberana.

Parafraseando o jingle do baiano, “por tudo o que admiro”, pela defesa do interesse nacional e do povo brasileiro, por empunhar a bandeira do Brasil com amor genuíno, por ser o verdadeiro candidato verde-amarelo, prefiro Ciro.