Cidadania racha sobre federação com PSDB, PDT e Podemos

Cidadania racha sobre federação com PSDB, PDT e Podemos roberto freire
Botão Siga o Disparada no Google News

O Cidadania, ex-PCB e ex-PPS, rachou internamente e fracassou em sua tentativa de formar uma federação para se salvar da cláusula de barreira.

O partido presidido por Roberto Freire, que foi candidato a presidente pelo antigo Partidão (PCB) em 1989, tinha o senador lavajatista Alessandro Vieira como pré-candidato fake à Presidência da República para negociar com os partidos maiores. Porém, o partido ex-comunista não foi capaz de manter a unidade sobre qual caminho seguir na empreitada.

Uma parte da executiva nacional defendia fazer a federação com o PDT e apoiar a candidatura de Ciro Gomes, que já havia sido candidato a presidente pelo então PPS em 2002 na Frente Trabalhista com o partido de Brizola. Na época, o PDT indicou para vice de Ciro, o líder do sindicato dos metalúrgicos de São Paulo, Paulinho da Força, que atualmente preside o Solidariedade e quer apoiar a chapa Lulalckmin.

O presidente do PDT, Carlos Lupi, e o líder do partido na Câmara dos Deputados, André Figueirado, enviaram carta ao Cidadania sinalizando boa vontade para formar uma federação e garantir a sobrevivência do partido de Roberto Freire. Porém, por maioria de 11 a 8, com duas abstenções, a executiva nacional do Cidadania recusou reeditar a aliança com o partido de Ciro Gomes.

Já a ala lavajatista liderada por Alessandro Vieira queria a federação com o Podemos, mas foi derrotada por 11 a 9 e uma abstenção.

A votação sobre a federação com o PSDB, que era a preferência do presidente Roberto Freire, chegou a um impasse com o empate de 10 a 10 e uma abstenção.

Diante dessa indefinição, o partido deve ser despedaçado na janela partidária quando parlamentares poderão trocar de partido para disputar as eleições desse ano. A maior parte dos deputados deve ser incorporada no PSDB de João Doria, outros devem ir para o Podemos de Sergio Moro, e possivelmente alguns devem migrar para o PDT de Ciro Gomes.

Sem mandato, Roberto Freire deve perder para sempre o controle de um modesto fundo partidário e eleitoral que comandava como sublegenda tucana nos últimos anos.

O Cidadania está para o PSDB, assim como o PCdoB está para o PT. Duas legendas históricas que serão destruídas pela subserviência canina aos partidos hegemônicos da Nova República neoliberal do Brasil inaugurada nos anos 1980.

  1. Este post, escrito por Antônio Duarte Vargas, trata do Partido Cidadania23, das discussões internas àquele partido sobre a formação de federação para disputar as eleições de 2022 e da possibilidade da opção PDT como parceiro na federação, junto com as opções possíveis de a federação do Cidadania23 ser com o PSDB ou com o
    Partido Podemos.

    Eu fui ligado ao PCB, de onde se originou o Cidadania23 – inicialmente PPS. Minha ligação com o PCB se deu nos extertérios da última ditadura militar no Brasil e no PCB eu fiquei até um pouco depois da redemocratização. Eu menino, estava interessado na reconquista da liberdade no Brasil, que para mim seria conquista, e não reconquista, por eu, àquela altura da luta política, nunca ter respirado com consciência o ar da democracia e de suas essencialidades, com a liberdade e a civilidade sendo duas das mais importantes dessas essências democráticas.

    No PCB, àquele tempo – segunda metade dos anos setenta e primeira metade dos anos oitenta – conviviam basicamente três correntes políticas: i) Uma das correntes internas daquele PCB eram os ortodoxos pró-soviéticos, aliados de uma Rússia que havia superado o stalinismo e, após Kruschev, estava sob Brejenev e avançava no revisionismo totalitário da interpretação positivista do pensamento de Marx feita por seu amigo e curador de sua obra, o Engels. A maior referência dos Ortodoxos do PCB era Giocondo Dias; ii) Uma segunda corrente daquele PCB era a de prestistas. Luiz Carlos Prestes estava vivo e, naturalmente, Prestes era a grande referência dessa corrente interna. Nós, mais jovens, e os velhos ortodoxos também, víamos Luiz Carlos Prestes como um líder atrasado e muito personalista; e iii) A terceira corrente interna era formada por militantes mais novos, nascidos, em sua maioria, pouco antes ou pouco depois do golpe militar; e era de jovens que só conheciam como experiência social e política a sufocante repressão da Ditadura Militar. Eu era um dos meninos dessa corrente! E lutava por liberdade!

    Nós, desta terceira corrente política interna do PCB, éramos adeptos do Eurocomunismo. Uma importante marca do Eurocomunismo é ter a democracia não como uma utilidade tática para se estabelecer e buscar a implantação de uma ditadura com um qualquer adjetivo que a relativize e justifique. Não! Nós lutávamos por democracia como um valor absoluto e permanente, não como valor provisório ou nuançado; e queríamos a democracia como um valor de todos: de todos os que concordam com o que pensamos e de todos que pensam diferente de nós.

    Essa defesa era e é bem a defesa de uma democracia que seja a maior possível que se conquiste, que se mantenha em seu processo histórico de se aperfeiçoar e que seja sempre uma democracia para todos e todas. A nossa referência nessa corrente era Roberto Freire, hoje o presidente do Partido Cidadania23, que, desativando o velho PCB, coordenou o grupo que constituiu este partido eurocomunista, ideia hoje expressa mais como modernização de representação política em uma sociedade bem diversa de quando Karl Marx pesquisou e escreveu o ‘Manifesto Comunista’ e os três volumes do livro ‘O Capital’.

    O velho PCB foi refundado, legitimamente, tanto do ponto de vista legal como do ponto de vista político, por ativistas comunistas que não concordaram com sua desativação. Eu, após o fim do PCB e fundação do partido eurocomunista aqui no Brasil, primeiro com o nome de PPS – Partido Popular Socialista e hoje com o nome de Partido Cidadania23, até ali fui, e quando da fundação do PPS não acompanhei os companheiros no novo partido.

    Mas eu sou simpatizante do Partido Cidadania23 e do que ele defende! Recentemente me inscrevi no site do Cidadania23 com o status de ‘simpatizante’. Também tenho muita admiração pelo Senador Alessandro Vieira, por sua produtividade como senador e por sua objetividade em abordar e tratar as demandas políticas de que se ocupa. Aliás, uma das admirações que tenho pelo Senador Alessandro é exatamente por sua rebeldia civilizada e sempre responsável!

    Mas, embora simpático ao Cidadania23 e admirador do Senador Alessandro Vieira, eu não estou apoiando sua candidatura. Eu estou, já faz dois anos, apoiando a candidatura Ciro Gomes e desejando que outros se juntem a Ciro! Da parte de Ciro eu espero que recepcione os eventuais novos apoiadores sem fazer fato consumado de propostas e projetos, mas mantendo-se aberto a um projeto comum e moderno. Nessa perspectiva eu, naturalmente, desejo que a decisão do Partido Cidadania seja, se possível, por ter Ciro Gomes como candidato, sendo em proposta fechada, formalizada por federação do Cidadania com o PDT; seja formalizando está mesma federação Cidadania/PDT com Ciro candidato, mas aceitando flexibilizar a liberação de filiados para outras opções, como mesmo o PDT aceita até internamente, como nos casos de Ceará e Maranhão. Fidelizar os companheiros sem dispersão, em uma democracia e com modernidade é uma tarefa para convencimento no campo das ideias e não dando autoritária “ordem unida”!

    É incrível como a beligerância desse artigo do Antônio Duarte Vargas distancia essas possibilidades de entendimento! É incrível como, mesmo com gente velha e experiente, nos partidos que estão teimando em cultivar atrasos ainda vemos essa retórica carregada e que só impede entendimentos entre forças melhores! Nessa marra e infantilismo belicoso só teremos, muitos de nós, no segundo turno desta eleição, a opção de irmos às urnas para votar em branco. Sim! No meu caso, a opção que vai me sobrar pode ser a de votar em branco, porque, em Lula eu não voto; em Bolsonaro, menos ainda; eu não anulo voto e; em uma cabra, nisso eu também não voto! Então, se estreitarmos entendimentos, atrapalhando alianças, a muitos de nós restará o voto em branco como opção, quando bem podemos ter a opção de ter o Ciro no segundo turno se formos mais receptíveis!

    Edson Luiz Pianca.
    [email protected]

Deixe uma resposta

Anterior
Domex