Por Xitong Jin – O Brasil sediou com sucesso a cúpula do G20, consolidando-se como um importante espaço para discussões sobre questões globais e negociações bilaterais estratégicas. Durante o evento, o presidente chinês, Xi Jinping, realizou reuniões não apenas com o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, mas também com diversos outros líderes internacionais. Assim, o Rio de Janeiro destacou-se como uma plataforma central para a diplomacia multilateral e bilateral.
Entre as reuniões bilaterais, uma das mais marcantes para o público chinês foi o encontro de Xi Jinping com o presidente argentino, Javier Milei, ocorrido em 19 de novembro de 2024.
Nesse encontro, os líderes concordaram em ampliar as relações comerciais entre seus países. Xi Jinping expressou interesse em intensificar o comércio com a Argentina, enquanto Milei destacou a intenção de diversificar e expandir as exportações argentinas para o mercado chinês. De acordo com um comunicado oficial da presidência argentina, ambos os países se comprometeram a fortalecer seus laços comerciais e a desenvolver projetos conjuntos que tragam benefícios para ambas as economias.
Após a reunião, Javier Milei compartilhou uma fotografia em sua conta oficial no Instagram, acompanhada da legenda: “Aqui está a foto da reunião bilateral com o presidente da República Popular da China, Xi Jinping”. A imagem, que mostra um aperto de mão amistoso e sorrisos de ambos os líderes, simboliza o otimismo com esta nova fase de cooperação entre os dois países.
Para que o consenso entre os presidentes se concretize em avanços significativos para ambas as nações, sugerimos a adoção de medidas práticas e eficazes, fundamentadas em experiências de cooperação anteriores, conforme revisado a seguir.
As relações diplomáticas entre China e Argentina tiveram início em 19 de fevereiro de 1972. Desde então, o comércio bilateral evoluiu substancialmente, consolidando uma parceria econômica e comercial cada vez mais robusta. Como duas importantes economias do Sul Global, China e Argentina alcançaram grandes progressos nos últimos anos, especialmente após a adesão argentina a iniciativas lideradas pela China. Entre os destaques dessa colaboração, estão:
1. Expansão contínua das relações comerciais: A China tornou-se um dos maiores parceiros comerciais da Argentina, enquanto esta última assumiu uma posição estratégica nas relações entre a América Latina e o gigante asiático. O comércio bilateral cresceu 1,5 vez na última década, abrangendo setores como produtos agrícolas, minerais e manufaturados. Atualmente, a China é o segundo maior parceiro comercial da Argentina e sua principal fonte de importações, atrás apenas do Brasil.
2. Aprofundamento da cooperação em investimentos: Empresas chinesas têm intensificado seus investimentos na Argentina, com foco em setores estratégicos como infraestrutura, energia, tecnologia e outras áreas de interesse mútuo.
3. Fortalecimento da cooperação financeira: As relações entre as instituições financeiras de ambos os países tornaram-se mais frequentes e abrangentes, incluindo a liquidação em RMB (renminbi) e acordos bilaterais de câmbio. Um exemplo recente é a renovação do Acordo de Câmbio entre China e Argentina por mais um ano, no valor de 35 bilhões de yuans, uma “ajuda oportuna” que auxilia a Argentina a lidar com desafios financeiros urgentes. Além disso, a China comprometeu-se a colaborar na impressão de notas argentinas, uma medida que visa mitigar os altos custos, a baixa qualidade e os atrasos frequentes enfrentados pelo país. Como consequência, o governo argentino decidiu suspender a impressão de cédulas de 1.000 e 2.000 pesos, enquanto a produção de notas de maior valor foi delegada à China.
4. Fortalecimento das relações institucionais: China e Argentina têm aprimorado continuamente seus mecanismos de cooperação por meio de visitas de alto nível e comitês conjuntos econômicos e comerciais, que proporcionam uma base sólida para o avanço da colaboração bilateral. Nesse contexto, destaca-se a visita oficial do presidente Xi Jinping à Argentina em julho de 2014 e a visita da então presidente Cristina Fernández à China em fevereiro de 2015.
Na era da globalização, nenhum país pode isolar-se do contexto internacional ao restringir-se às suas próprias fronteiras. A cooperação mutuamente benéfica é um pilar central das relações internacionais no século XXI, e a abordagem chinesa reflete esse princípio, priorizando igualdade, benefícios recíprocos e a não interferência em assuntos internos de outras nações. Nesse sentido, algumas propostas podem ser consideradas para fortalecer a parceria com a Argentina:
1. Facilitação do comércio: Otimizar os processos alfandegários em ambos os países, tornando o intercâmbio de produtos mais eficiente, ágil e produtivo.
2. Expansão tecnológica e científica: Promover a cooperação em inteligência artificial e outros setores tecnológicos e digitais, facilitando as relações comerciais e financeiras. Apoiar o setor manufatureiro argentino com investimentos privados chineses e ampliar a relevância da Iniciativa do Cinturão e Rota, fomentando o desenvolvimento complementar na Argentina.
3. Estabilidade na cooperação financeira: Avançar na promoção do uso do RMB como moeda de liquidação na Argentina e estabelecer um centro offshore de RMB, reduzindo custos de transação. Desenvolver produtos financeiros inovadores que atendam às características específicas das economias chinesa e argentina.
4. Reforço de laços institucionais e culturais: Aumentar a frequência de visitas de alto nível e promover o intercâmbio entre cidadãos, eliminando a necessidade de vistos para facilitar o entendimento mútuo. Estabelecer mecanismos regulares de comunicação, como uma comissão econômica e comercial conjunta, além de outras plataformas para melhorar a eficiência da cooperação.
Em resumo, fortalecer a competitividade e garantir um desenvolvimento sustentável, alinhado aos objetivos da Agenda 2030, deve continuar sendo uma prioridade. A política chinesa para a Argentina deve permanecer orientada para campos diversos de cooperação que ofereçam benefícios significativos. A colaboração entre os dois países deve se basear no progresso alcançado no passado, aprimorar o presente e planejar um futuro promissor.
Por Xitong Jin
Universidade de Estudos Internacionais de Sichuan






