O Brasil segue descendo sua preguiçosa ladeira desde a última vez que esta coluna foi publicada. Precisávamos de um tempo. O Brasil nos deixa numa ressaca constante, um porre existêncial de uísque Passaporte – e cada dia mais cowboy, inclusive (para o bem e para o mal).
Subcelebridades tomam os jornais com seus dilemas bananísticos. A política segue o mesmo rumo. O diminutivo é a tônica do nosso país. Discute-se “saidinha”, taxações de “blusinhas”, o diminuto invade nossas telas, ao lado de anúncios milagrosos para emagrecimento.
O único aumentativo do noticiário na última semana foi o envenenamento de um empresário, morto após ingerir um “brigadeirão” envenenado. A principal suspeita é a namorada, que devia cerca de R$600 mil reais para uma vidente. O cadáver insepulto ficou dias e dias apodrecendo na sala, enquanto a namorada efetuava golpes financeiros, na ânsia de pagar a vidente cigana credora.
Pelo menos a história vale o superlativo.
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O NUbank, em parceria com o Ministério da Cultura, divulgou que o premiado livro “Torto Arado” agora irá virar um musical. Nada mais caquético e modorrento do que um livro terrível como esse sendo trsposto pra uma linguagem que não lhe pertence. Se já era ruim escrito, cantado . Quem paga é o pobre usuário do banco roxinho – olha aí mais um diminutivo – que, em discrepância com o “inho” da cor, cobra juros superlativos. Cada “blusinha” taxada por Fernando Haddad, aumenta ainda mais 20% no cartão de crédito do banco. Eles querem até as calças. O Nu do nome nunca fez tanto sentido.
O grande problema não é expropriar os pobres. Essa já é tônica de todos os governos brasileiros das últimas três décadas. Se extorquir gente humilde fosse crime, não teríamos sistema financeiro, afinal. Contudo, o que incomoda particularmente é a finalidade. Nosso dinheiro suado poderia ser usado em mansões, ragabofe ou até mesmo na revista Piauí. O problema é que os banqueiros agora querem nos arrancar até a alma. Musical de Torto Arado é demais.
O diretor que cometerá o musical é conhecido. Sua ficha corrida incluí obras como o roteiro do programa “Esquenta” e adjacências. Mais alguém que estaria escrevendo publicidade de bolacha fosse o país de outrora. Como hoje o Brasil premia a mediocridade servil a militância, uma atrocidade dessas tem verba.
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Na última segunda-feira(3) o escritor Franz Kafka completou um século de morte. Morreu pobre, sem reconhecimento e só fez sucesso após morto, muito por culpa de Max Brod, seu melhor amigo, que, contrariando o pedido do moribundo Kafka, publicou obras inacabadas, entre elas “O Processo” e “Carta ao Pai”.
Nunca confie num artista para avaliar a própria obra -para o bem e para o mau. Não resta dúvida que Itamar Vieira Jr, ao terminar “Torto Arado”, considerou-se gênio. Assim como Kafka considerou medíocres os seus textos mais geniais. Por sorte o tcheco tinha um amigo que colocou as coisas no lugar, publicando as obras. Itamar, tivesse algum, teria o impedido.
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O centrão, no Senado, enterrou os 20% da taxação de Haddad às bugigangas chinesas até U$50 dólares. Os pastores, acostumados aos 10%, devem ter julgado exagerado a sede do professor petista. O centrão está à esquerda do PT, como sempre. Enquanto o primeiro atende os mais diversos interesses, o petismo só atende ao Deus mercado. O monoteísmo do governo é mais reacionário que o politeísmo do centrão.
Alagoas salvou as blusinhas. O senador Rodrigo Cunha, relator do projeto de taxação, é rival de Arthur Lira. As rivalidades alagoanas criaram a república com Deodoro, impicharam Collor. Somente a dialética das Alagoas poderá nos salvar.
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O debate público nacional morreu. Há um consenso liberal que inutiliza e pasteuriza todas as discussões, sob a pecha de “institucionalidade” e demais baboseiras que servem apenas ao senhor da Faria Lima, que nos bestializa dia após dia com celebridades sem talento, golpistas, michês, vagabundos, pilantras e assassinos. No país dos diminutivos, estamos cada vez menores.






