O avanço dos projetos identitários no Brasil
Por Alberto Imbiriba
O identitarismo de esquerda e de direita avançam todo dia seu projeto antinacional no Brasil. Enquanto a esquerda e a direita mais tradicionais no Brasil não conseguem dialogar dentro de um amplo programa, para um projeto nacional. Negar a política, e negar a nação andam lado a lado, dentro de um projeto identitário que tem como objetivo negar o Brasil para o povo brasileiro. E não falamos somente de política, estamos falando de cultura, economia, costumes, tradições e espectros ideológicos.
O avanço do neoliberalismo no final da década de 90, desencadeou no identitarismo desenfreado nas primeiras décadas dos anos 2000. A tentativa de revolução colorida ocorrida no Brasil, nas chamadas ¨jornadas de 2013¨, desencadeou uma guinada identitária no Brasil, sobretudo da direita mais liberal e entreguista, que viu na antipolítica, o que mais tarde a esquerda identitária vai chamar de necropolítica, um caminho viável para sua narrativa. Assim surgiram políticos outsiders, que negavam a ¨política tradicional¨ mas a praticavam em sua essência, numa clara guinada rumo a uma guerra hibrida, entre esquerda x direita, que são os lados da mesma moeda identitária. Ao negar a política, a direita identitária tentava plantar uma semente, que a resposta aos problemas do Brasil, não era a política, e muito menos o estado brasileiro. Na narrativa da direita, os problemas eram resolvidos através da iniciativa privada, da liberdade econômica, e da não interferência do estado. Mas não era qualquer iniciativa privada, o projeto era entregar a indústria nacional, os projetos, e toda a economia brasileira nas mãos da iniciativa privada estrangeira internacional.
Para isso criou-se a narrativa que quem comandava a nação era um ¨mercado¨ invisível, que falava sem voz, que representava investimentos sem dizer onde, e tinha representantes obscuros na nação brasileira. Mas em vez de comprarem a indústria nacional, resolveram destruí-la, usaram o judiciário para destruir as empresas nacionais, que investiam no desenvolvimento nacional, e traziam empregos para o povo brasileiro. E assim avançava o projeto de guerra hibrida pela direita identitária, que pregava a destruição da iniciativa privada, em acordo com um projeto de investimentos de capital estrangeiro, que nunca vieram, e quando vieram através dos chineses o alerta de perigo tocou. A ameaça de uma iniciativa privada estatal chinesa, não poderia ser nem sonhada no Brasil, mesmo com a China sendo o maior parceiro econômico do país, a influência dos chineses e do BRICs deveria ser desencorajada.
Enquanto isso, a esquerda identitária atacava as empresas nacionais, e os impulsionadores econômicos do Brasil, como a agricultura, a indústria primaria e de energia com divisionismo ecológico. A agenda ambiental avança no Brasil com a guerra hibrida da esquerda identitária, com o discurso europeu e norte americano, de proteção ambiental e defesa ecológica, que quer proibir o desenvolvimento nacional brasileiro, em detrimento ao combate das desigualdades sociais, que poderia avançar com o desenvolvimento nacional. Por sinal, o Brasil sempre liderou a indústria verde sustentável, e liderou por muito a busca por fontes renováveis e limpas de energia, que são o futuro econômico do mundo. Tanto esquerda e direita identitária se uniram nesse objetivo comum, contra as empresas nacionais e o desenvolvimento econômico brasileiro, cada um no seu objetivo, mas ambas no mesmo espectro ideológico identitário. Unindo a destruição dos símbolos nacionais, dos modos de vida dos brasileiros, e criando divisionismo interno, na narrativa conflituosa entre as regiões brasileira, o avanço do identitarismo no Brasil tem um objetivo claro de atrasar cada vez mais a integração nacional, e a construção de um país unido com o objetivo de construção de uma nação forte e grande. O ataque a pátria brasileira, procura unicamente enfraquecer os potenciais brasileiros e dos povos brasileiros, que unidos e trabalhando em um objetivo comum alcançariam lugares mais distantes.
O centro político brasileiro tem sido por incrível que pareça a única barreira no projeto antinacional, dos identitários, numa proteção tímida aos valores e desenvolvimento nacional, mas tudo feito em nome de um projeto clientelista fisiológico, que tem como objetivo transformar o Brasil em um semi- presidencialismo parlamentarista, sem a anuência e vontade do povo brasileiro. Ao mesmo tempo dentro do seu jogo de interesses, e de pressões vindas de lugares diferentes, o centro tem participado de governos de direita e de esquerda, e aglutinado o espectro político identitário aos seus interesses, mas tendo que muitas vezes ceder às pressões desses grupos políticos. Ao mesmo tempo em que priorizam seus interesses particulares, e são fortemente influenciados pelo lobby da FEBRABAN (federação brasileira dos bancos), ou da representação do mercado pela Faria Lima. O próprio escândalo das emendas secretas, que eram as emendas do relator da comissão mista de orçamento, mostrava os interesses desse centro fisiológico, mas que por muitas vezes foi o freio democrático do Bolsonaro, e colocou o governo Lula3 amarrado dentro das pautas do congresso nacional.
O jogo identitário chegou ao seu auge na disputa polarizante ente Lula e Bolsonaro, onde os dois trocaram posições históricas que defendiam, somente porque o outro defendeu, ou falando mais concretamente, o identitarismo conduziu os dois grandes líderes populistas, a defender posições antagônicas entre seu discurso. Bolsonaro quando assumiu o poder passou a atacar a justiça, e ao juiz (Sergio Moro) que o levaram ao poder, quando deram munição ao próprio Bolsonaro para atacar o PT e ao Lula, quando a justiça deu freio as pretensões autoritárias dos bolsonaristas, de implementar sua ditadura militar populista. E Lula para se eleger ao 3 mandato teve que assumir uma posição de defesa da justiça, que anos antes lhe manteve preso, mesmo com todos os elementos para a anulação do seu julgamento desde o começo. Os juízes do STF sabiam desde o começo que o foro original par o julgamento do Lula, seria São Paulo ou Brasília, já que nenhum crime foi cometido no estado do Paraná, e principalmente sabiam que Sergio Moro tomou a posição de promotor, Juiz e executor para si, mostrando que fazia parte um plano maior. Sergio Moro atuou fortemente dentro do plano identitário, logo após os protestos de 2013, para destruir a indústria nacional, e as empresas nacionais de maior sucesso interna e externamente. Mas quando Bolsonaro e Lula tomam para si, pautas que antes eram um e do outro, demonstrando claramente o avanço da guerra hibrida no Brasil, onde as pautas dos antagônicos flutuam entre si, e mostram que ideologia, projeto e política ficam em segundo plano, quando se trata de avançar o poder do status quo da moda. E nesse sentido que os interesses do mercado, do mainstream e dos grupos identitários se tornam prioridade máxima, e o povo acaba ficando em segundo plano, apenas assistindo ao palco do horror que se torna a política, e cada vez mais afastado e retirado das decisões sobre sua própria vida.
E no afastamento da política em relação ao povo, que os identitários ganham ainda mais força, colocando em pauta seu jogo de guerra hibrida, e narrativas camufladas, as vezes funcionando como uma cortina de fumaça, para passar o projeto que realmente desejam. Esse dualismo narrativo faz parte de um projeto maior de empobrecer a política, e tumultuar um projeto mesmo que mínimo de nação e pátria, que por sinal, e o maior ataque dos identitários, para tentar destruir o simbolismo de nação e a formação da nossa pátria. As próprias fake News sobre as enchentes mostram que o projeto, e jogar os brasileiros uns contra os outros, para criar a ideia de uma disputa entre Sul/sudeste contra norte/nordeste, enquanto o povo brasileiro se uniu em solidariedade e unidade, para ajudar o povo do Rio Grande do Sul. Porque um povo sem identificação nacional, e sem o sentimento de pertencimento, e muito mais fácil ser manipulado, dentro de uma agenda onde as identidades são questionadas, valore são questionados e princípios postos a prova.
O único projeto dos identitários são seus ganhos pessoais, sua liberdade acima das liberdades coletivas, a todo custo. E eles estão cada vez mais concentrados aos extremos dos campos políticos, na esquerda e na extrema esquerda, pautando desordem, como a violência contra o estado brasileiro após as eleições de 2022, com o incentivo de políticos, e chefes executivos de governo. Os grupos identitários recebem altos valores de organizações internacionais, e algumas atuam no Brasil como ONGs, com interesses contrários ao nosso país. Valores os quais conseguem se organizar e promover suas atividades, eleger políticos e disseminar suas agendas, narrativas e projetos muitas vezes autoritariamente.
O exemplo da parada LGBT em São Paulo e o exemplo mais claro onde os identitários, acabam entrando em choque dentro das suas agendas mais profundas. Enquanto os grupos identitários, organizações e ONGs LGBTs, disputam as narrativas do evento, sobretudo em relação aos seus objetivos, colocando a parada como contraria aos valores brasileiros, de família, pátria e nação. E desejo mais do que genuíno, das comunidades LGBTs formarem suas famílias, criarem raízes, e terem uma rede de apoio familiar, muito pelo longo histórico de menosprezo e abandono das suas famílias, ou até mesmo violência e agressão familiar, pela não aceitação das suas opções/identidades sexuais. Em contrapartida os identitários conservadores utilizam a narrativa, contraditória, que as comunidades LGBTs, são contra a família tradicional brasileira, mesmo sendo uma das principais bandeiras das comunidades LGBTs, o reconhecimento do casamento civil, e da união familiar entre eles. Essa contradição ocorre, pelo pensamento errôneo da família nuclear patriarcal brasileira, mesmo que a maioria das famílias brasileiras seja matriarcal e polifamiliar, com as mães tendo uma ampla rede de apoio familiar. Essa família patriarcal com o núcleo familiar sendo formada pelo homem na figura do pai, sendo uma maioria falsa nos lares brasileiros, pelo longo abandono paternal na sociedade brasileira. Então cria-se a narrativa pelos conservadores, que as famílias LGBTs representariam a destruição desse modelo familiar, que segundo a narrativa dos conservadores brasileiros, seria o tradicional no Brasil, colocando inclusive a aceitação das famílias matriarcas sendo contrarias, a essa família tradicional brasileira. De fato, o sentimento das comunidades LGBTs de querer formar uma família, trabalhar, socializar e criar raízes, e o que mais aproxima essas comunidades, do sentimento de brasilidade, nacionalismo e amor a pátria, a final o que se tem de tradicional no Brasil e formar uma família, criando raízes e se integrando a uma comunidade.
Essa dicotomia entre formar uma família, e a acusação de querer destruir a família no Brasil, e explorado pelos identitários de ambos os lados, pelos conservadores na narrativa de defesa da família, e dos valores brasileiros. E na esquerda liberal, a narrativa de que se precisa questionar os valores nacionais brasileiros, da formação familiar, de religiosidade e da construção de pertencimento nacional. Produzindo um domingo de bizarrices construídas com o intuito de acirramento da guerra hibrida, entre esquerda x direita, que tem como objetivo criar diferenças entre os brasileiros, para não conseguirmos encontrar um caminho comum de pacificação e união entre os brasileiros. Ate mesmo porque, se formos pensar em São Paulo, que elegeu um governador que se apresenta como conservador, elegeu um senador que se apresenta como conservador, e elegeu uma bancada na assembleia dos deputados, que em sua maioria se apresenta como conservadores de direita, deveríamos encontrar uma resistência maior, e empecilhos maiores para realização da parada LGBT. Mas o que se observa e a narrativa da movimentação da economia, do turismo e da geração de empregos, apresentando uma dicotomia maior onda, onde se reconhece a participação das comunidades LGBTs no desenvolvimento da economia brasileira, ao mesmo tempo que se nega os direitos a existência, ao trabalho, e aos direitos básicos de qualquer cidadão. Isso e fruto da mais alta força do identitarismo, que tem como objetivo causar confusão e ignorância nas pessoas, tanto a esquerda liberal, quanto a extrema direita conservadora, que assumem os dois lados da mesma moeda.
Muitas das vezes, esses dois lados da mesma moeda assumem agendas em comum, para manter sua guerra hibrida, onde um não pode existir sem o outro. O que seria da extrema direita conservadora, sem a esquerda liberal identitária, falando sobre poligamia, relacionamento aberto, gênero fluido, ou todas as mais variáveis dicotomias e confusões mentais possíveis. E o que seria da esquerda liberal identitária, sem a extrema direita conservadora falando em proibições, em destruir os direitos LGBTs, do perigo do fascismo, e do seu direito a vida questionado a todo momento. O avanço do projeto identitário no Brasil caminha a passos largos, controlando as agendas politicas e sociais, enquanto que os seus objetivos econômicos em comum, passam rapidamente e bestializam o povo, sem deixar que haja questionamento, e quando o povo começa a questionar, são lançadas cortinas de fumaças da guerra hibrida em forma de identitarismo, para retirar a atenção do povo do que realmente estava importando. O maior exemplo temos essa semana, enquanto PL e PT votaram juntos pela taxação das compras na shoppe e shein, que atingem diretamente o povo mais pobre, com mais impostos e taxação. Os dois lados da mesma moeda jogaram a cortina de fumaça da restrição das saídas dos presídios, enquanto a direita acusava a esquerda de defender bandidos, defesa do crime, e que por isso seriam contra as famílias, a esquerda acusava a direita de ser fascista, contra os direitos humanos e de recuperação dos presos. E esse foi o jogo principal, enquanto o que realmente era importante os dois lados convergiam para aprovar, indo contra o povo brasileiro, eles se colocavam em lados opostos para confundir os brasileiros, mesmo tendo votado juntos para aprovar o projeto de taxação das compras em mais de 50 dólares.
O avanço dos projetos identitários no Brasil aumenta a guerra hibrida e a revolução colorida no Brasil, com os objetivos de se colocarem contra o povo brasileiro, e não permitir a qualquer custo uma união popular, que seja contra os verdadeiros donos do poder, que são os bancos, o mercado invisível financeiro estrangeiro, e as grandes empresas internacionais, que querem manter o nosso país refém, e o nosso povo escravizado. Esse medo de uma mudança estrutural, e uma revolta politica direcionada aos projetos certos de nação, são o que motiva os projetos identitários de esquerda e direita terem tanta força e financiamento no Brasil, porque estão colocados contra o povo, e o povo e inimigo do projeto daqueles que querem manter esse tão famoso sistema corrupto e corruptor brasileiro.
Por Alberto Imbiriba






