Por Luana Morales Victorero – Itagiba de Moura Brizola nasceu em Carazinho, uma cidade no interior do Rio Grande do Sul, em uma família extremamente humilde. Nenhum dos seus irmãos teve a oportunidade de estudar, mas ele, que foi alfabetizado em casa pela mãe, sempre recebeu o incentivo de que deveria buscar concluir os estudos para ter a possibilidade de um destino mais próspero. Quando ainda era criança, recebeu a oportunidade de uma bolsa de estudos em Porto Alegre. Conseguiu uma passagem de trem com a Prefeitura de Carazinho, se mudou para a capital gaúcha e lá trabalhou como engraxate para poder se sustentar. Esse menino pobre, tomado por inconformidades, amadureceu com a convicção de que nenhuma criança merecia crescer sem ter acesso a estudos e ainda jovem decidiu mudar o seu próprio nome para homenagear um líder revolucionário: a partir de então, se tornara Leonel.
Leonel sentiu na pele as consequências do subdesenvolvimento brasileiro e testemunhou o poder que a educação exerce dentro desse sistema excludente. Porém, nunca interpretou o seu exemplo, de menino pobre que trabalhou desde muito jovem para poder estudar, como algo digno de algum orgulho. Pelo contrário, foi tentando romper com essa lógica que, quando governou o Rio Grande do Sul, construiu 6.302 escolas e democratizou o acesso à educação no estado, quando essa não era uma pauta da moda. Já no Rio de Janeiro, edificou mais de 500 CIEPs, os Centros Integrados de Educação Pública, o maior projeto de educação integral do país.
Somente esses feitos já seriam suficientes para consagrá-lo como uma grande figura pública, uma vez que ele é o estadista que mais construiu escolas em todo o continente.
Mas ele foi além.
Leonel Brizola compreendeu que não é apenas a honradez de um homem que não sucumbe aos interesses individuais ou uma boa distribuição de recursos públicos que irá fazer com que o Brasil se liberte das amarras que o envolve. As raízes dos problemas brasileiros – no sentido mais profundo da palavra – são frutos da penetração imperialista na nossa economia, que condena qualquer um que ouse se levantar contra os seus interesses.
Esse imperialismo tem sugado as nossas riquezas há séculos e isso ele denominava processo espoliativo, exemplificando: “Eu vi diante dos meus olhos o problema da opressão imperialista. É como se você e eu quiséssemos arrumar a mobilia desta sala, mas alguém está carregando-a para fora. Ai chega uma hora em que não há mais mobília para arrumar. Por isso, nossa primeira tarefa é fechar a porta para impedir a espoliação.”. Percebeu, portanto, que o subdesenvolvimento do nosso país financiou – e continua financiando – o desenvolvimento de outras potências. Não por acaso ele era considerado, pelas agências de inteligência norte-americanas, inimigo número um dos EUA. E a isso respondia: “Não sou inimigo dos Estados Unidos e sim de um sistema econômico internacional, que é fonte, a causa dos sofrimentos, das frustrações e de toda a sorte de deformações na vida dos povos cuja economia dominam, como é o nosso e o de toda a América Latina”
Por consequência, só conseguiremos implementar as reformas estruturantes que o nosso país precisa – e assim reparar séculos de espoliação e marginalização – se desmontarmos o sistema econômico vigente.
A história de formação do Brasil, que foi constituído sob um moinho de gastar gente e que em todas as tentativas de libertação recebeu duros golpes como resposta nos dá solidez para afirmar a atualidade do brizolismo e do Trabalhismo. Estes, só deixarão de serem contemporâneos no dia em que a nossa nação deixe de ser saqueada e passe a existir para o seu povo.
Sem coragem de romper com esse modelo econômico não há como romper com a nossa condição de atraso. Hoje celebramos 103 anos de nascimento de Leonel Brizola e temos no brizolismo a referência imperiosa de que o Brasil irá cumprir com o seu destino e o mais fundamental: que ele é nossa tarefa.
Por Luana Morales Victorero






