Peru preocupa

pedro castilho peru
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É muito complicada a situação de Pedro Castillo, presidente do Peru, dois meses e meio após sua posse. Ontem (6), fez novo recuo, após intensa pressão das classes dominantes (elites limenhas, mídia e Forças Armadas), ao demitir seis ministros. A troca mais significativa é a do presidente do Conselho de Ministros, uma espécie de chefe da Casa Civil, líder de seu partido Peru Livre. Todas as alterações visam empossar auxiliares menos comprometidos com mudanças reais.

Eleito em segundo turno contra a extrema direita fujimorista em disputa apertada, Castillho conta com apenas um terço do Congresso em seu favor. O problema maior é que o Legislativo tem prerrogativas que o aproximam de um Parlamento, com poderes de destituir membros do Executivo e até mesmo o presidente, com muito mais facilidade do que em sistemas presidencialistas plenos.

O país – como o continente – foi duramente castigado pela pandemia – 200 mil mortes em uma população de 33 milhões, pior resultado da região – e enfrenta forte queda da atividade econômica. O PIB recuou 11,1% em 2020 e o PIB per capita caiu 13,5%. O FMI projeta uma recuperação de 8,5% para este ano, insuficiente para trazer algum tipo de alívio para as maiorias empobrecidas, que sofrem com serviços públicos muito precários. Apesar de anúncios de distribuição de terras, a popularidade presidencial é cadente. Entram aqui o contraste com a alta expectativa no momento da posse e a campanha impiedosa de ataques por parte da imprensa.

Colocada contra a parede, a nova administração dá passos atrás. É algo fatal: o poder privado tenderá a ocupar mais espaços, num momento em que não há sinal de reação popular.