Veterano das Forças Especiais dos EUA que atuou ao lado de israelenses em Gaza denuncia abusos no sistema de distribuição de ajuda criado por Israel e Estados Unidos. Relato reforça denúncias da ONU sobre uso da fome como arma e militarização do socorro em Gaza.
Centros de distribuição de alimentos na Faixa de Gaza funcionam como “armadilhas letais”, segundo ex-integrante da “Gaza Humanitarian Foundation” (GHF), estrutura com braço paramilitar responsável por distribuir a ajuda humanitária. O veterano do exército norte-americano Tony Aguilar tem concedido uma série de entrevistas em que denuncia abusos e crimes de guerra ligados ao sistema de distribuição estabelecido por Israel com apoio dos Estados Unidos. Com 25 anos de serviço nas Forças Armadas dos EUA, o ex-Boina Verde atuou em operações especiais nas guerras do Iraque e do Afeganistão e se diz chocado com o tratamento dispensado aos palestinos.
Embora seu depoimento seja impactante, ele reforça informações já apontadas por agências da ONU e confirmadas por reportagens internacionais ao longo dos últimos meses. O sistema iniciou suas operações no dia 27 de maio de 2025 e desde então mais de 1300 pessoas morreram durante a distribuição de ajuda humanitária, segundo a ONU. A informação é substanciada por relatos de campo de organizações humanitárias e testemunhas, além de uma série de reportagens. No dia primeiro de junho, 32 pessoas teriam sido mortas enquanto buscavam comida.
No dia 30 de maio, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) declarou que Gaza é o lugar mais esfomeado do mundo e que a operação da ONU em Gaza é uma das operações humanitárias que mais sofreram limitações na história recente. Seu porta-voz, Jen Laerke, também observou que o esquema estabelecido por Israel e pelos Estados Unidos utilizando paramilitares contratados (security contractors) não funciona e criou escassez, caos e uma “situação extremamente perigosa para as pessoas”.
Na mesma semana de maio, no dia 25, Jake Wood, veterano condecorado da Marinha dos EUA, que lutou nas guerras do Iraque e do Afeganistão, renunciou a posição de diretor executivo da GHF dizendo que a organização não adere aos “princípios humanitários de humanidade, neutralidade, imparcialidade e independência”. Wood é notório por dirigir organizações de socorro rápido desde 2010, iniciando sua atuação no socorro a vítimas do território do Haiti naquele mesmo ano.
No primeiro dia de junho, Philippe Lazzarini, Comissário-Geral da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), declarou que a distribuição de ajuda virou uma “armadilha letal”, denunciando baixas massivas entre civis esfomeados obrigados a marchar quilômetros a centros de distribuição em um “sistema humilhante”. Em julho, 170 organizações de ajuda e caridade com histórico de atuação na região assinaram uma carta pedindo o fim da GHF e que os disparos contra palestinos buscando ajuda pelo sistema são “rotineiros”. O Secretário-Geral da ONU, Antonio Guterres, disse que a falta de segurança é inerente ao sistema e que ele está matando pessoas. As agências da ONU também vem apontando que o sistema atual facilita a ação de ladrões e saqueadores.
Tom Fletcher, Subsecretário-Geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e Coordenador de Ajuda de Emergência, disse que o sistema da GHF “restringe a ajuda”, é subordinado a objetivos militares, não atende às necessidades essenciais e que “transforma a fome em moeda de barganha”.
Também em julho, 30 países, a maioria deles europeus (com exceção da Nova Zelândia e do Japão), assinaram uma declaração conjunta com o Comissariado Europeu para Igualdade, Preparação e Administração de Crises, condenando o sistema de “gotejamento” na entrega de comida e o assassinato de civis buscando ajuda, “incluindo crianças”.
O sistema surgiu como solução apoiada por Israel e pelos Estados Unidos depois das autoridades israelenses bloquearem a entrada de ajuda humanitária na Faixa de Gaza em março de 2025, o que provocou uma situação de alta insegurança alimentar. O Comissário-Geral da UNRWA disse para a BBC que negar comida para Gaza era uma “arma de guerra” sendo usada por Israel.
Especialistas do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos denunciaram no final de julho o “uso deliberado da sede e da fome” contra a população palestina, “bomba silenciosa mas letal que mata principalmente crianças e bebês”.
Como funciona o sistema da GHF?
Conforme reforçado pelos relatos de Tony Aguilar, o sistema funciona por meio de corredores militarizados — e não propriamente humanitários — que atravessam zonas de operações militares ofensivas. Por esses corredores, milhares de civis famintos avançam sem sinalização adequada, sem o auxílio de megafones, muitas vezes no escuro. O controle é exercido por unidades de reservistas armados, que atiram para “direcionar” a multidão até os centros de distribuição, onde são recebidos por integrantes armados da GHF. Essa combinação cria uma armadilha mortal para os civis — especialmente nas primeiras horas da manhã.
O funcionamento do sistema se baseia em barreiras que são liberadas no momento em que os pacotes de comida estão prontos. Caso parte da multidão erre o percurso e se depare com uma barreira militar — tanques, soldados — pode acreditar que ainda está no caminho certo. Diante do avanço da massa, soldados em menor número, sentindo-se ameaçados, disparam. Posteriormente, as autoridades descrevem os episódios como “ações de controle de multidões”.
Quando a massa de pessoas chega nos centros de distribuição, a multidão disputa por caixas contendo alimentos secos, para depois fazer o caminho de volta correndo os mesmos riscos.
A organização humanitária Médicos sem Fronteiras (MSF) chamou o sistema de “abate disfarçado de ajuda”.
Disparos de aviso que viram disparos para matar?
Aguilar observa que os soldados israelenses são, em sua maioria, conscritos sem disciplina adequada, o que contribui para os disparos descontrolados. Ele tem razão. Mas é plausível supor que, em diversos casos, os tiros não visam apenas dispersar — mas matar. O Haaretz publicou uma reportagem sobre ordens deliberadas de disparos contra civis nas áreas de controle. Um soldado israelense com a identidade protegida falou com a SkyNews sobre áreas onde civis são mortos arbitrariamente. Ainda é preciso considerar as declarações públicas de militares e políticos israelenses legitimando ataques contra palestinos, e figuras radicais no governo expressam abertamente tais posições, como mostram declarações públicas:
- O ministro Bezalel Smotrich disse em maio que Gaza será inteiramente destruída.
- O político Nissim Vaturi disse que Gaza deve ser queimada pois “Gaza é Hamas” e que “não existem inocentes lá”.
- O Le Monde e a Associated Press levantaram o uso de declarações pedindo a destruição de Gaza, que inclusive foram usadas na acusação de genocídio levantada pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça.
- A jornalista britânica Arwa Mahdawi compilou vinte declarações desse tipo, incluindo a do parlamentar Simcha Rothman que chamou as crianças de Gaza de “inimigos”.
É razoável concluir que essas visões apresentadas publicamente por pessoas comuns, políticos e formadores de opinião se refletem no comportamento de um exército composto por reservistas sem a formação sólida de um espírito militar profissional. O próprio Aguilar disse ter ouvido de soldados israelenses que ele estaria alimentando “o inimigo” e que na visão das forças armadas de Israel todos em Gaza são Hamas.
Licença para matar e o uso da fome como arma
Juliette Touma, diretora de comunicações da UNRWA, denunciou tiros aleatórios contra as multidões, “como se tivessem licença para matar” em uma “caça massiva de pessoas com total impunidade” e que a busca por comida tornou-se “tão letal quanto os bombardeios”. A organização Anistia Internacional acusou a militarização do sistema de distribuição de ser um “uso da fome para infligir genocídio” contra os palestinos. Para a Human Rights Watch em Israel, a fome está sendo usada como arma de guerra por Israel e que tiroteios contra massas de palestinos buscando ajuda são incidentes quase diários, que constituem “crimes de guerra” segundo a organização.
Aguilar também confirma que membros da GHF disparam próximo dos pés e sobre as cabeças dos civis como forma de controle — prática que pode facilmente resultar em feridos ou mortos. Além disso, o veterano boina verde diz que não havia distribuição de água para os habitantes porque elevaria os custos a ponto de comprometer a margem de lucro da operação. Reportagem anterior sobre os interesses por trás da organização expôs a busca por um negócio lucrativo em meio às necessidades humanitárias de Gaza, enquanto a ONU reclama de ser impedida por Israel de distribuir itens de primeira necessidade que recebe por doações.
Desde a incursão de operativos do Hamas em Israel no dia 7 de outubro de 2023, mais de 60 mil palestinos foram mortos na Faixa de Gaza; cerca de 80% das vítimas são civis e 31% crianças. A UNICEF alerta para a iminência de uma grande fome e afirma que um a cada três palestinos passam dias sem comida.
Em um dos seus relatos, Aguilar mostra fotos de um menino visivelmente desnutrido com quem teve contato no centro de distribuição número dois e viu ser morto por disparos israelenses em seguida. O nome do menino, segundo Aguilar, era Amir. O relato de Aguilar gerou comoção e polêmica na mídia dos EUA, especialmente por causa da imagem do menino famélico, episódio que foi questionado pela GHF. Mais do que o episódio trágico individual, o que permanece é a evidência de que essas mortes continuarão enquanto esse sistema persistir, independente dos interesses ou da precisão do relato individual de Aguilar, que diz contar o que viu por “espírito americano”.
Se os soldados se dizem ameaçados e não têm outra forma de atuar, a responsabilidade recai sobre quem concebeu e mantém esse mecanismo, que fechou 400 centros de distribuição da ONU, gera mortes por assassinato e favorece a fome. O relato de Tony Aguilar não só aponta crimes de guerra como falhas logísticas graves da organização. Há alternativas que já foram experimentadas e não chegaram nesses resultados: centros de distribuição geridos pela ONU e outras organizações internacionais, que incluem o registro com nome e sobrenome das famílias que recebem ajuda humanitária. Mas o governo israelense insiste em um nível de controle territorial que inviabiliza essas opções.
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Fontes:
Security contractor says he witnessed ‘barbaric’ and un-American tactics at Gaza aid sites Disponível em: https://www.pbs.org/newshour/show/u-s-whistleblower-describes-chaos-and-reckless-force-at-gaza-aid-sites | PBS
‘I witnessed war crimes’ in Gaza, former worker at GHF aid site tells BBC Disponível em: https://www.bbc.com/news/videos/cy8k8045nx9o | BBC News
US Green Beret Veteran Tony Aguilar Details the Shocking War Crimes He’s Witnessing in Gaza Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QRjEMbHXM4Q&t=532s | Tucker Carlson
Killings of Palestinians seeking food in Gaza continue as starvation deepens [EN/AR]. Disponível em: https://reliefweb.int/report/occupied-palestinian-territory/killings-palestinians-seeking-food-gaza-continue-starvation-deepens-enarKillings of Palestinians seeking food in Gaza continue as starvation deepens [EN/AR] – occupied Palestinian territory | ReliefWeb
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UNRWA COMMISSIONER-GENERAL ON GAZA: AID DISTRIBUTION HAS BECOME A DEATH TRAP. Disponível em: https://www.unrwa.org/newsroom/official-statements/unrwa-commissioner-general-gaza-aid-distribution-has-become-death-trapUNRWA Commissioner-General on Gaza: aid distribution has become a death trap | UNRWA
US-Israeli backed Gaza aid group must be shut down, say 170 charities. Disponível em: https://www.bbc.com/news/articles/cn5kk1w00xyoIsraeli, US-backed Gaza aid group must end, say 170 charities
What is the Gaza Humanitarian Foundation, and why has it been criticised? Disponível em: https://www.aljazeera.com/news/2025/5/20/what-is-the-gaza-humanitarian-foundation-and-why-has-it-been-criticisedWhat is the Gaza Humanitarian Foundation, and why has it been criticised? | Gaza News | Al Jazeera
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“Thirst as a weapon”: UN experts condemn Israel’s deliberate dehydration and starvation of the Palestinian people. Disponível em: https://www.ohchr.org/en/press-releases/2025/07/thirst-weapon-un-experts-condemn-israels-deliberate-dehydration-and“Thirst as a weapon”: UN experts condemn Israel’s deliberate dehydration and starvation of the Palestinian people | OHCHR
Video shows shooting at crowded Gaza food collection site. Disponível em: https://www.aljazeera.com/video/newsfeed/2025/7/15/video-shows-shooting-at-crowded-gaza-food-collection-siteVideo shows shooting at crowded Gaza food collection site | Gaza | Al Jazeera
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Harsh Israeli rhetoric against Palestinians becomes central to South Africa’s genocide case. Disponível em: https://apnews.com/article/israel-palestinians-south-africa-genocide-hate-speech-97a9e4a84a3a6bebeddfb80f8a030724ICJ genocide case: Israeli rhetoric against Palestinians central to South Africa’s case | AP News
‘Gaza must be eliminated’: Israel’s airwaves are filled with pro-genocide propaganda. Disponível em: https://www.theguardian.com/commentisfree/2025/jun/27/israel-gaza-propaganda‘Gaza must be eliminated’: Israel’s airwaves are filled with pro-genocide propaganda | Arwa Mahdawi | The Guardian
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Gaza: Israeli Killings of Palestinians Seeking Food Are War Crimes. Disponível em: https://www.hrw.org/news/2025/08/01/gaza-israeli-killings-of-palestinians-seeking-food-are-war-crimesGaza: Israeli Killings of Palestinians Seeking Food Are War Crimes | Human Rights Watch
US contractors say their colleagues are firing live ammo as Palestinians seek food in Gaza. Disponível em: https://apnews.com/article/palestinians-israel-gaza-contractors-aid-distribution-fe27f3ea83e06a09d66424eed7a5d56fTwo US contractors describe chaos and gunfire as Palestinians seek food in Gaza | AP News
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Netanyahu says Israel will control ‘all of Gaza’ after latest offensive. Disponível em: https://www.aljazeera.com/news/2025/5/21/netanyahu-says-israel-will-control-all-of-gaza-after-latest-offensiveNetanyahu says Israel will control ‘all of Gaza’ after latest offensive | Israel-Palestine conflict News | Al Jazeera






