Malu Gaspar d’O Globo informou hoje que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, receberá Ciro Gomes para articular um acordo entre o PSD e o PDT no estado do Rio de Janeiro. No encontro eles irão discutir qual o melhor formato de uma chapa estadual que uniria o pré-candidato a governador pelo PSD, o presidente nacional da OAB, Felipe Santa Cruz, e o pré-candidato do PDT, o ex-prefeito de Niterói, Rodrigo Neves. Além disso, Paes levará Ciro para visitar seu secretariado municipal.
Paes atua com o aval do presidente do PSD, Gilberto Kassab, pois os dois não aceitam as imposições de Lula que busca engambelar o partido a filiar Geraldo Alckmin para ser vice na chapa do petista sem entregar nada em troca.
No Rio de Janeiro, o PT é liderado por Washington Quaquá, o popular ex-prefeito de Maricá, e André Ceciliano, deputado estadual presidente da ALERJ. Os dois são pragmáticos e gostariam de uma composição ampla com o PSD do prefeito da capital. No entanto, para impor a retirada da candidatura estadual de Márcio França em São Paulo, Lula e a presidente do PT, Gleisi Hoffman, prometeram apoio ao candidato do PSB ao governo do Rio de Janeiro, Marcelo Freixo.
Assim sendo, Kassab e Paes não veem motivos para não se unir ao candidato a governador do PDT, o também popular Rodrigo Neves, e dar o forte palanque carioca do PSD na capital fluminense para Ciro Gomes, e possivelmente lançar Felipe Santa Cruz para o Senado.
Essa aliança no Rio de Janeiro pode iniciar um acordo nacional entre o PSD e PDT, tendo em vista que o pré-candidato do partido de Kassab, Rodrigo Pacheco, está à beira de desistir da candidatura presidencial devido sua inviabilidade eleitoral.
Como já expliquei em “Lula insiste em seduzir o PSD, mas Kassab diz que ‘não é não’“, o presidente do PSD quer ter um candidato a presidente alternativo a Lula e Bolsonaro no primeiro turno para negociar mais caro no segundo turno e no futuro governo federal que toma posse em 2023. A estratégia de Kassab é fortalecer ao máximo sua bancada de deputados federais, senadores, e se possível eleger alguns governadores. Para isso, o PSD se coloca ao centro do espectro político podendo apoiar Lula ou Bolsonaro dependendo do estado, bem como Doria em São Paulo, e Ciro Gomes no Ceará e agora até no Rio de Janeiro.
A pré-candidatura de Rodrigo Pacheco serviria a essa flexibilidade pragmática do PSD, porém, o atual presidente do Senado não pretende se lançar em uma campanha sem nenhuma densidade eleitoral conforme as pesquisas demonstram, e sem nenhum recurso financeiro, tendo em vista que todo o fundo partidário controlado por Kassab seria destinado para as chapas proporcionais e regionais.
Nesse cenário, para ter um candidato a presidente alternativo e relativamente viável no primeiro turno, Kassab não descarta dar o apoio do PSD para Ciro Gomes. Essa solução seria boa para os dois.
Kassab teria um candidato forte que incomoda tanto Bolsonaro como Lula, e que fortaleceria sua posição de barganha no segundo turno caso tenha um provável bom desempenho no primeiro como demonstram as pesquisas. Principalmente com a também iminente desistência da pré-candidatura de Sergio Moro que desbloqueará a disputa pelo terceiro lugar na disputa presidencial para correr atrás do foro privilegiado de 8 anos no Senado Federal.
Já Ciro sabe que só poderia contar com o fundo partidário do PDT e que teria que tolerar palanques duplos ou até abertamente lulistas ou bolsonaristas em algumas regiões, mas ganharia em tempo de TV, em capilaridade em estados importantes como Minas Gerais, onde já conta com a simpatia de Alexandre Kalil, e no Rio de Janeiro do experiente e sempre bem votado Eduardo Paes.






