Daniel Vorcaro é um banqueiro envolvido com igreja pentecostal, time de futebol e política. Não se pode dizer que ele escondia a própria pilantragem. Contudo, apesar de sua evidente vocação para ambientes heterodoxos, o tamanho de seus tentáculos era desconhecido. O homem botou o Centrão, o STF e as próprias instituições de joelhos. Vorcaro é a pedra na engrenagem.
O Banco Master sempre teve em seu DNA a simbiose entre a política institucional e o mundo financeiro. Prova disso é o insuspeito Nelson Jobim figurar entre o conselho diretor da instituição. O banco tinha sua própria bancada, coordenada por Ciro Nogueira — que, semanas antes de o escândalo estourar, tentou aprovar um projeto de lei que salvaria o Master da liquidação. Eram os despachantes de Vorcaro, sempre servis.
O banqueiro procura diversificar os investimentos. Seu histórico de festas é ouvido em todas as rodas de Brasília. Supostos rendez-vous regados ao prazer dionisíaco, todos eles. Fala-se até de um ministro gravado em despacho exclusivo com uma profissional liberal. Dinheiro na mão, calcinha no chão.
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Nunca antes na história institucional deste país tanta gente importante correu tão rápido para defender alguém quanto as instituições brasileiras correram para defender o Banco Central no episódio dos ataques de Vorcaro. Não foi solidariedade: foi reflexo condicionado. Quando a mão que alimenta é ameaçada, o coro aparece. O aplauso foi automático, o script decorado e a comoção, curiosamente, unânime.
O referido banqueiro, ao ter seu banco liquidado, virou seus canhões para o Banco Central. O que se viu ali foi um espetáculo ensaiado. A Faria Lima, em uníssono, soltou notinhas de apoio redigidas às pressas — provavelmente no ChatGPT — por algum estagiário mal pago. A tentativa de salvar o Banco Master esbarrou no histórico de serviços prestados que o Banco Central possui com a elite financeira, para quem trabalhou com exclusividade nos últimos 30 anos.
Vorcaro, tendo que recuar, jogou a batata quente para todos os que dele recebiam alguma coisa: de ministros a tribunais de contas, passando por redes de televisão e influenciadores. Falta de folha de pagamento não houve. Assistimos a um show de nulidades, invenções jurídicas, acareações pornográficas e improvisos institucionais. Nunca tanta gente se queimou tanto e tão rápido.
As notícias foram se avolumando e eu creio que você, leitor, tenha mais o que fazer do que acompanhar cada novo capítulo das instituições brasileiras e de seus órgãos público-privados. Por isso, segue um resumo de tudo o que você precisa saber sobre esse bacanal institucional brasileiro:
Tudo o que você precisa saber sobre o caso Banco Master
• Daniel Vorcaro é um banqueiro que se aproximou do poder promovendo festas para políticos, ministros, juízes e demais figuras do Estado, além de contratar parentes de autoridades
• O Banco Master sempre teve relação direta com a política; exemplo disso é ter tido figurões da República como conselheiros, como o ex-ministro Nelson Jobim
• Vorcaro teria gravações utilizadas para ameaçar ministros do STF
• Há relatos de tensão constante em sessões do STF, incluindo episódios de crises emocionais com choro transmitidos em rede nacional
• O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master por falhas graves comprovadas
• Entre os motivos apontados pelo Banco Central estão alavancagem excessiva, inconsistências contábeis, fragilidade patrimonial, falhas na gestão de riscos e descumprimento de normas prudenciais
• O processo foi colocado sob sigilo por decisão de Dias Toffoli, acompanhado de uma série de nulidades processuais cujos interesses não foram esclarecidos
• Isso inclui uma acareação realizada em 27 de dezembro, no final do ano, com tentativa de constranger técnicos do Banco Central
• A intenção seria criar contradições e enfraquecer a intervenção do Banco Central
• O Banco Central reagiu, afirmando que não submeteria seus técnicos a constrangimentos diante de um banqueiro investigado
• Banco Central, grandes veículos de imprensa e a Febraban passaram a atuar para impedir a reversão da liquidação
• A Febraban entrou diretamente na articulação política para sustentar a decisão do Banco Central
• Vorcaro passou a ameaçar: se não fosse “limpo”, entregaria tudo o que sabe — e até o que não sabe
• O STF buscou uma saída alternativa via TCU, com uma interpretação forçada de competência
• A Febraban reagiu duramente e deixou claro que não aceitaria uma manobra via TCU
• O caso se transformou em um impasse institucional de grandes proporções
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No Brasil da crônica da comédia anunciada, a realidade é embalada com fantasia. Mas, neste carnaval permanente, a corte segue cada vez mais exposta, e suas vísceras apodrecem em praça pública. O rei está nu.






