Fred Krepe: Voto útil de novo?

Lula e Bolsonaro lado a lado
Voto útil: Lula x Bolsonarismo de novo?
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Por Frederico Krepe – A eleição de 2026 está batendo na porta e, novamente, temos a questão do voto útil como a “única saída” para salvar o Brasil do abismo. Repetindo o filme que vimos em 2022, já é possível observar uma amostra do que será intensificado durante a campanha presidencial. E, mais uma vez, a próxima eleição passa a ser a “mais importante de todas”. Quero propor algumas reflexões para iniciar um debate que certamente não vai se esgotar aqui.

Vamos partir do argumento de que, de fato, não há alternativas, Lula é a única saída possível e todos devemos apoiá-lo para salvar o Brasil. Qual é hoje a perspectiva de ampliar uma bancada do centro à esquerda no Congresso? Ela existe? Uma bancada capaz de dar sustentação institucional a um eventual quarto mandato de Lula. E vejam: já nem considero mais a possibilidade de um governo de reformas ou algo próximo disso, já que, ideologicamente, o PT abandonou essa posição há tempos (se é que algum dia esteve nela, mas essa é outra conversa).

Ou veremos, novamente, um passeio do PL e seus satélites, como em 2022, com a ampliação da bancada e um “centrão” cada vez mais energizado ideologicamente pelo partido digital bolsonarista? É importante lembrar de um ponto que muitos ignoram: o bolsonarismo está “ideologizando” o centrão fora do Nordeste por meio de sua máquina digital em troca de votos. O lulismo faz algo semelhante? Além disso, vale a pena para um deputado do centrão se aproximar do Lula?

Agora, imaginemos que Lula vence novamente a eleição presidencial. O bolsonarismo, mobilizado e fortalecido, que hoje consegue colocar mais pessoas nas ruas do que a esquerda, simplesmente vai voltar para casa e aceitar a derrota? Ou seguirá dizendo que houve fraude? E como será esse futuro com Lula reeleito? Já está previsto um arrocho para 2027 devido ao teto de gastos proposto pelo próprio governo. Como não há indicação de mudança nessa política, é razoável esperar medidas impopulares. Como ficará esse cenário? Não arriscamos assistir a um enredo parecido com o da crise política da Dilma em 2015?
Agora, junte tudo: um bolsonarismo fortalecido e mobilizado, avançando no Congresso, enquanto o governo mantém uma pauta de fortalecimento do teto de gastos, adotando medidas contra o povo e sujeito a uma alta impopularidade. Consegue ligar os pontos?

E deixo mais uma pergunta: a justificativa de que o voto e o apoio direto a Lula permitem construir uma alternativa política sem o risco de perseguição é frequentemente repetida, mas que construção foi feita de 2023 até agora? Por que chegamos às portas de 2026 novamente sem alternativas, caindo no mesmo discurso de que “é Lula ou nada”? Se votar em Lula garante esse trabalho com relativa tranquilidade, por que ele não foi feito até agora?

São apenas questões que pretendo desenvolver no futuro, mas que já valem ser colocadas agora para debate, especialmente para mostrar como voltamos sempre ao mesmo ponto, como um cachorro correndo em volta do próprio rabo, sem entender como chegamos até aqui e sem saber como sair.

Este é um texto de opinião. Seu conteúdo não reflete necessariamente a opinião do Disparada.

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