Voto impresso e o conspiracionismo do PDT

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Por Felipe Machado – Li um texto de Gustavo Castañon, membro do diretório nacional do PDT, a favor do voto impresso e, no dia, ignorei, pois me pareceu um tanto viralatista, comparando o Brasil com países europeus e deslegitimando nossa soberania eleitoral. Depois disso, o presidente do PDT, Carlos Lupi, vem com uma declaração endossando o texto do Castañon, legitimando o discurso do voto impresso. Assim, o tema virou objeto de discussão nas redes sociais, sendo o PDT o condutor dos debates. Inclusive, Ciro Gomes acaba de publicar declarações também favoráveis ao voto impresso.

Primeiro insta salientar que se trata de uma estratégia de campanha eleitoral proposta pelo novo marqueteiro contratado pelo PDT, João Santana. Como parcela da população está descrente com a politica brasileira, o objetivo é conquistar votos desta: “Ora, se parte da população não credita mais confiança nas eleições, por que não comprar esse impulso negacionista para ganhar uns votinhos pro Ciro na disputa eleitoral?” Essa foi a estratégia adotada pelo PDT e João Santana.

Fica claro que o PDT está conseguindo muito bem se inserir no atual modelo de se ganhar uma eleição: fake news, conspiracionismo e negacionismo. Foi assim que Bolsonaro se elegeu em 2018, e está sendo assim que Ciro Gomes quer ser eleito em 2022. É uma boa estratégia para ganhar votos, temos que admitir. O problema é que Ciro e João Santana arriscaram parte dos 12% de votos do Ciro nas eleições de 2018, uma vez que esta (parte) é provenientes de eleitores de esquerda, com formação universitária e que prezam pela legitimidade de uma campanha que não confabule com conspiracionismos baratos. Creio que a aposta foi: (i) podemos perder parte desses 12%, mas (ii) a “turma boa” já representa um núcleo duro do cirismo que dá uma base sólida pra Ciro partir nas eleições de 2022, de modo que (iii) esse risco vale considerando a parcela de votos dos negacionistas com a politica brasileira que Ciro pode obter.

Para deixar claro, não há indícios e muito menos provas de que nossas eleições sejam fraudadas, todos argumentos no texto de Gustavo Castoñon são vagos. Ele basicamente está acusando o TSE de que as eleições são fraudadas sem prova nenhuma e quer que o TSE prove que a acusação dele é inverídica. É um método de inserir, ideologicamente, um discurso negacionista. Assim como Bolsonaro faz ao dizer que o STF é uma máfia de bandidos sem prova alguma. Essa arquitetura ideológica de espalhar fake news, que os membros do PDT e Ciro Gomes estão se valendo, afronta o chamado sistema acusatório no direito penal, vez que o dever de provar que há crime é do acusador – não é o réu que tem que provar que ele NÃO cometeu crime.

Nem vale entrar no mérito de que o TSE já demonstrou inúmeras maneiras de auditar os votos e já demonstrou inúmeras vezes a legitimidade de nossa soberania eleitoral, porque é isso que quem propaga fake news quer: que o debate se torne cada vez maior até que a semente do negacionismo se infiltre na cabeça do povo.

Outra questão que merece não haver dúvidas: está claro que Brizola defendia o voto impresso, mas isso foi em outros tempos. A “turma boa” de Ciro, agora, está tentando legitimar seu discurso falando “isso é um pauta histórica do PDT”. A questão que também está clara, por outro lado, é que essa ação sincronizada e instantânea dos membros do PDT e de Ciro Gomes veio em momento muito oportuno para eles: um momento histórico em que endossar a descrença contra o sistema eleitoral brasileiro ganha votos.

Eu estou achando engraçado ver essa dança de Ciro. Antes ele combatia esse descrédito contra os política brasileira; enfrentando o negacionismo eleitoral; combatendo a maneira que Bolsonaro angariou votos para ser eleito em 2018. Por isso, conquistou sua posição na esquerda. Agora ele começou a treinar seus passos pro lado direito, quer entrar no espírito da negação do sistema eleitoral brasileiro e quem sabe conquistar um espaço no coração de parte da direita negacionista. Se é uma estratégia boa? Somente as urnas em 2022 dirão. Minha opinião? Essa dança dele da direita à esquerda fará ele ter menos votos do que obteve em 2018.

Por: Felipe Machado.