Retrospectiva 2025 pelo ponto de vista da liberdade na arte

Retrospectiva 2025 pelo ponto de vista da liberdade na arte
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Por Newton Cannito – 2025 foi o ano onde, pela primeira vez, o sistema cultural criado nos últimos 25 anos chegou ao seu limite, com seus maiores sucessos, mas também seus maiores questionamentos.

O Brasil ganhou o Oscar por “Ainda Estou Aqui”. Cannes, com “Agente Secreto”. Teve também o clímax do documentário ativista de esquerda com “Apocalipse nos Trópicos”. Lançou o remake de “Vale Tudo” no simbólico aniversário da Globo.

Mas, pela primeira vez, o sistema começou a ser questionado em seus fundamentos. Cada vez mais pessoas percebem que os wokes são o próprio sistema — um sistema com uma ideologia importada, operacionalizada por uma burocracia estatal bem treinada e por uma elite econômica ligada ao sistema financeiro.

Até outro dia, questionar uma obra de Kleber Mendonça era motivo de silêncio imediato. Mas hoje, cada vez mais pessoas perderam o medo do cancelamento e começam a dizer o que pensam. Os wokes continuam vencendo 99% das batalhas, mas começam a ter focos de oposição.

A oposição ao sistema atual começou a se articular com a Artistas Livres, associação que participo e organizou um grupo forte de questionamento, que conseguiu algum espaço na mídia e na política. Mas ainda é apenas uma iniciativa sem apoio financeiro, pois todo o sistema cultural oficial continua dominado por financiamentos wokes.

Na cidade de São Paulo surgiu uma Frente Parlamentar de Artistas Livres, reunindo vários vereadores para defender a diversidade de ideias e estéticas na arte.

A crise do Teatro Municipal começou logo no início do ano, com a montagem de “O Guarani”, de Carlos Gomes. Foi simbólico, pois recolocou em pauta o debate sobre nacionalidade. A peça recebeu uma versão adaptada por Ailton Krenak, indígena neocolonizado que, em vez de dialogar com a tradição indígena real, repetiu apenas os jargões da ideologia eco-woke. O resultado estético foi um imenso fiasco, e as contestações começaram ali.

Mesmo com o fracasso de inúmeras óperas e a resistência dos próprios músicos (chocados com a excessiva ideologização e a escolha de diretores por critérios ideológicos), a organização social que gere o Municipal tem contrato de gestão até maio de 2026. Portanto, tudo seguiu igual.

A virada aconteceu em setembro, quando um funcionário da Sustenidos, associação woke que controla milhões de reais do Teatro Municipal, comemorou publicamente a morte de Charles Kirk. Esse ato falho expôs o radicalismo dessa base que finge defender diversidade, mas na prática defende práticas fascistas e trata opositores com violência simbólica e até física.

Esse radicalismo é tratado com condescendência pela elite cultural dominante — grupos e instituições ligados ao mercado financeiro, totalmente submissos à pauta woke. Criticam o radical que “extrapolou”, mas continuam pregando a mesma ideologia que formou esses radicais.

O país sofreu uma invasão cultural e econômica. A cultura serve para distrair a população em falsos conflitos, desviando o foco da dominação econômica que precarizou todo o povo.

A classe artística deixou de ser formada por pensadores livres. Vinte anos de um sistema de avaliação e julgamento altamente controlado, baseado em critérios woke, doutrinaram a categoria. Hoje, projetos vencedores são muitas vezes escritos por IA treinadas para repetir mantras como LGBTQIA+, decolonialismo, lugar de fala etc.

A estética perdeu valor. Não existe mais verdade, não existe beleza. Avalia-se mais o corpo do artista — sua identidade, sua cor, sua sexualidade — do que a obra de arte. Isso gerou uma queda imensa na qualidade das obras produzidas.

Mesmo cineastas talentosos precisam se submeter a pareceristas e editais que controlam sua expressão. A autocensura virou regra. E quem melhor se autocensura cresce mais. Os medíocres — mais obedientes — vencem. Bem-vindos à era da mediocridade sistêmica.

O sistema cultural não quer o mercado real, nem conquistar o público. Quer controlá-lo e doutriná-lo. Vivemos em uma nação parcialmente ocupada por forças ideológicas estrangeiras. Em toda invasão, os mais leais — e mais medíocres — são escolhidos como porta-vozes. Assim, artistas livres foram excluídos.

Isso explica porque a maioria dos filmes brasileiros, mesmo caríssimos, não chega a mil espectadores.

Na televisão isso se repete. A Globo, que deveria ser a grande empresa nacional de conteúdo, se rendeu ao woke. Suas novelas perdem público rapidamente. Em 2025, cometeu um erro trágico: adaptar “Vale Tudo”, uma das maiores novelas da história. O fiasco deixou evidente a decadência da produção cultural atual.

Pode ter faturado bem graças a estratégias de marketing, mas isso não muda o fato da audiência ser baixa e a rejeição grande. Se o marketing foi competente com um produto renegado, seria ainda mais eficiente se a novela fosse boa. Historicamente, as novelas com maior sucesso comercial são também as melhores esteticamente. O relativo sucesso comercial de “Vale Tudo” seria muito maior se a novela tivesse qualidade. Isso é óbvio, mas negado pelo sistema, que tenta manter sua narrativa de sucesso forjado.

A Globo já anunciou novo projeto para Manuela Dias — autora totalmente leal à ideologia woke. Como uma TV estatal de um país totalitário, prefere manter lealdade ideológica ao sistema do que agradar o público.

Com isso, fica claro que a dominação woke não agrada ao público brasileiro. É imposição das elites que tentam dividir o país.

O perfil do artista de sucesso hoje é simples: lealdade ao sistema. A obra pode perder público, mas a fidelidade ideológica garante carreira.

A base da classe artística é totalmente controlada. A Artistas Livres surgiu quando um roteirista postou vídeo questionando o woke em uma lista da associação — e foi imediatamente censurado. Roteiristas foram suspensos, e um parecer jurídico inventou o crime de “racismo estrutural” contra quem simplesmente discordou de uma pessoa negra.

Quem questiona a ideologia é expulso. Radicais canceladores dominam a base.

Muitos artistas não radicais têm medo de enfrentar os radicais com dinheiro. Preferem se adaptar, aprender linguagem neutra, seguir regras dos editais. Não se pode exigir coragem de todos — muitos vivem disso.

Outros são “agentes secretos”: concordam conosco, mas não podem falar. Já outros têm medo até de pesquisar o assunto — são “ignorantes por opção”.

O debate intelectual está ganho. Mas falta popularizar argumentos, enquanto os fanáticos se tornam mais agressivos. A maioria dos editais (Lei Paulo Gustavo, MINC, institutos culturais, festivais) segue woke. Enfrentá-los é ser excluído.

Por isso é urgente a Frente Parlamentar dos Artistas Livres. Com apoio político, músicos, atores e artistas terão coragem para denunciar censura. Os músicos do Municipal lideram esse movimento.

As eleições viraram guerra cultural. 2026 tende a repetir esse cenário, a menos que surja rapidamente uma classe de artistas livres — capazes de produzir humor que destrua ideologias, histórias que unam o Brasil e obras que libertem o público.

Isso começará no Teatro Municipal, em 2026, com o FUBA — Festival Utopia Brasil de Artes — uma grande Semana da Arte Livre. Um encontro de artistas silenciados pela ditadura cultural.

Em abril, mês do nosso Redescobrimento, haverá outro FUBA na Bahia. Depois, Casas Utópicas em festivais literários darão espaço aos censurados.

Com núcleos regionais e FUBAs por todo o país, o ambiente cultural de 2026 poderá romper a polarização e ajudar o povo a decidir com racionalidade.

Por Newton Cannito