Por Mou Hongjin – Dilma Rousseff tem sido uma defensora de longa data das relações de amizade entre a China e o Brasil, contribuindo de forma significativa para o fortalecimento das relações entre os dois países, entre a China e a América Latina, e para a cooperação no âmbito do BRICS.
Na condição de presidente do Novo Banco de Desenvolvimento e ex-presidente do Brasil, Dilma foi agraciada com a Medalha da Amizade da China, a mais alta condecoração do país para estrangeiros. Ela tem reiteradamente elogiado o desenvolvimento chinês e reafirmado seu compromisso em fortalecer as relações de cooperação e benefícios mútuos entre China e Brasil.
Durante a celebração do 75º aniversário da fundação da República Popular da China, em 13 de setembro, o presidente Xi Jinping assinou um decreto presidencial conferindo medalhas nacionais e títulos honoríficos a 15 personalidades. Dilma Rousseff foi uma das homenageadas, recebendo a Medalha da Amizade.
A medalha, predominantemente dourada e azul, incorpora elementos simbólicos como uma pomba da paz, um globo terrestre, um aperto de mãos e uma flor de lótus. Com detalhes de filigrana e outras técnicas tradicionais, simboliza a amizade e a solidariedade entre o povo chinês e os povos de outros países. A honraria é destinada àqueles que fizeram contribuições excepcionais para a modernização da China, para o intercâmbio e a cooperação internacional, e para a defesa da paz mundial. “Estou comprometida em garantir que essa relação de amizade, cooperação e benefício mútuo entre China e Brasil se prolongue ao longo deste século e dos próximos”, declarou Dilma Rousseff ao receber a medalha.
Em abril de 2023, Dilma, já à frente do Novo Banco de Desenvolvimento, expressou sua admiração pelo modelo chinês de modernização durante o Fórum Lanting sobre a Modernização Chinesa e o Mundo. Ela destacou que a proposta da China oferece uma nova opção para o mundo, enfatizando a necessidade de um novo paradigma global de desenvolvimento.
A condecoração de Dilma Rousseff com a Medalha da Amizade simboliza também o reforço do papel crescente dos países do BRICS no cenário internacional, ampliando a influência e abrangência de seus mecanismos de cooperação. Além disso, demonstra a confiança mútua entre China e Brasil, incentivando uma cooperação mais aprofundada, com ainda maior qualidade e benefícios para ambas as populações. A medalha também reforça o simbolismo da afirmação da China como um importante país do Sul Global e como relevante voz favorável à construção de uma governança global mais justa e eficaz.
A premiação ocorre num contexto de crescente sinergia entre chineses e brasileiros, frente à oportunidade de ambos alinharem os projetos concernentes à Iniciativa Cinturão e Rota com os intentos brasileiros de reindustrialização, ao tempo em que atuam conjuntamente para cooperar em questões emergentes da governança global e para a promoção de mecanismos de cooperação multilaterais e regionais.
A perspectiva atual da China é que mais países do Sul Global se unirão ao BRICS, cooperando para criar condições vantajosas para os países em desenvolvimento. Junto da China, terão de enfrentar desafios tais como o crescimento das forças antiglobalização e pró-unilateralismo, contrapondo-os com a promoção do multilateralismo e do desenvolvimento sustentável global. A expectativa é que, nos próximos anos, mais líderes, políticos e economistas do BRICS sejam agraciados com a Medalha da Amizade da China, fortalecendo ainda mais a essencial cooperação Sul-Sul.
Por Mou Hongjin
Doutoranda em Relações Internacionais no Instituto de Estudos Sociais e Culturais da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau






