Afinal, a economia brasileira vai bem?

Afinal a economia brasileira vai bem
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Quando confrontados com a baixa na popularidade de Lula e seu governo, muitos influenciadores e formadores de opinião caem numa armadilha conceitual, ou iludem propositalmente sobre a realidade. Seja proposital ou não, a maioria tem seguido um discurso que diz algo como:

“Se a economia não está ruim, e o governo está realizando projetos, só pode ser um problema de comunicação!”

Que não se trata de um problema de comunicação, mas um problema de orientação e foco das medidas tomadas pelo governo até aqui, já comentamos nas ultimas publicações. O fato das maiores realizações do governo serem de natureza pró-mercado e anti-povo, como o NAF, com certeza é um problema muito maior do que a comunicação morna.

Gostaria de falar hoje, contudo, sobre o primeiro pressuposto utilizado na argumentação pró-governo acima destacada, a falsa crença de que “a economia vai bem.” Para refletir sobre isso, deveríamos pensar em algumas perguntas:

1-Quais os critérios para saber se a economia está realmente boa?

2-Se está tão boa, porque os efeitos disso não são notados?

3-Se está boa, isso é em relação a quais países?

4-Se está boa, está boa para quem?

Não almejo responder nenhuma dessas perguntas de forma específica, pois gastaria muitas linhas com cada uma delas. Mas, é possível responder de forma bem geral, que economia não é uma ciência exata que estuda fenômenos da natureza, mas uma ciência social que pode utilizar matemática entre suas ferramentas. Você não pode dizer que a economia de um país é boa ou ruim por si só, você tem que comparar alguns indicadores e dados com os de outros países e com mais dados do próprio país ao longo da série histórica.

O Brasil obteve uma melhora em seu indicador PIB quanto comparamos com o período Bolsonaro. Deveríamos comparar e almejar ser levemente melhores do que o pior período de nossa história? Igualmente medíocres? É necessário que sejamos sinceros, uma taxa de crescimento menor que 5% ao ano, com alguns períodos de crescimento realmente muito abaixo desse padrão, não é nada de impressionante do ponto de vista do crescimento econômico. O Brasil, desde a década de 90, quando comparado a outros membros fos BRICS, tem um déficit de crescimento, que se acumulou e se tornou pior na década de 2010. Ainda hoje, as taxas de crescimento do Brasil são baixas para um país emergente, e mais baixas ainda, quando comparado com o potencial que o Brasil tem e pro que se imagina ou se espera do país.

Para além disso devemos entender que mesmo o PIB demonstrando leve e desanimado crescimento, pela organização econômica do país, isso não significa que o Brasil tenha realmente enriquecido. O PIB é, superficialmente, a soma do valor das riquezas produzidas e serviços operados em determinado país.

Em uma economia organizada como a nossa, primarizada entre o agro e a exploração extrativista de recursos naturais e também privatizada, em um país com grande concentração de riqueza, que não taxa ou tributa tais atividades econômicas, o aumento do PIB não representa em absolutamente nenhum ganho relevante para a coletividade brasileira, já que a maior parte desses recursos fica com o 1% dos brasileiros mais ricos (latifundiários e rentistas) e com “acionistas estrangeiros” naquilo que Leonel Brizola chamava de perdas internacionais. Quase nada disso retorna para a coletividade brasileira na forma de infraestrutura, direitos, serviços públicos etc etc.

Nesse sentido, por mais que tenha melhorado alguns de seus indicadores, as maiores realizações do governo foram pró mercado. A manutenção das reformas ultraliberais de Temer, sem tentativa de luta política, legitimando diretamente o projeto Ponte Para o Futuro do Golpe de 2016, como com a criação do Novo Arcabouço Fiscal ou da precificação dos combustíveis que impacta no custo dos alimentos mantendo parte substancial do antigo PPI.

As propostas de campanha não foram cumpridas, as privatizações e a reforma trabalhista e da previdência ultra liberais foram mantidas e no lugar, um projeto liberal com obsessão na questão fiscal foi implementado. Um projeto Liberal que foi mais competente que Temer e Bolsonaro, é verdade, mas para beneficiar e excluir as mesmas pessoas. Que tipo de pessoa acredita que, por exemplo, a cruzada anti-povo contra os “fraudadores do BPC” e a limitação de crescimento anual do salário mínimo não iriam ter um impacto negativo na avaliação de Lula e do governo?

E no final de tudo, ao invés de assumir uma postura crítica, muitos procuram bicho papão e teorias da conspiração, onde não existe espaço para tal, outros alegam ser um problema de comunicação, como forma polida de dizer que faltou mentir melhor.

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