O desafio dos partidos de vocação nacional

o desafio dos partidos de vocação nacional pcb pdt pt ciro gomes trabalhismo brizola prestes lula
Botão Siga o Disparada no Google News

Por Pedro Bordinhão – No Brasil existem desafios incomuns a uma democracia de caráter nacional, de um verdadeiro Estado-Nação. Sabe-se bem que o fenômeno do neoliberalismo dentro da intelectualidade cria, como fruto de um Estado capitalista constantemente asfixiado, a necessidade pela atomização social, o que implica a atomização das lutas sociais, políticas e intranacionais, portanto, como filhos sem mãe, os partidos paridos na década de oitenta são caudatários de um imaginário social construído em um mundo desordenado e orgulhoso de estar alcançando uma nova “ordem” por meio de um caos pretendido criador. É a globalização sem lógica, apenas cosmopolita e acolhedora do germe fascista. É o ovo da serpente.

Nesse sentido, a construção política rumo à tomada do poder por um grupo de motivações verdadeiramente transformadoras limita-se aos que já encenavam no teatro político brasileiro no período predecessor ao golpe militar de 1964, faça-se saber: os comunistas e os trabalhistas. Fora dos dois representantes clássicos da esquerda brasileira estavam os herdeiros do direitismo udenista e do centrismo psdista. No entanto, ainda que divergentes em todos os parâmetros possíveis, ambos os componentes da democracia iniciada em 1946 tinham algo em comum: o Estado Nacional. É por essa razão que partidários da direita, ainda que liberais, guardavam o sentido de importância que projetos de cunho infraestrutural possuíam, é por essa razão que a direita disputou tão acirradamente o imaginário social na década de 60. Disputa essa diferente da existente hoje, que é uma disputa em torno das unidades fragmentadas do povo brasileiro, e não das duas totalidades que o caracterizam mais expressivamente: a classe trabalhadora e a nacionalidade em si.

Também não se pode acreditar que por um passe de mágica aterrissaram no Brasil liberais e homens e mulheres de mente cosmopolita, anuladores do passado, esses não foram fruto da magia, mas de pequenos atores e atrizes que compuseram classicamente a direita associada brasileira. A UDN, por exemplo, é classicamente analisada como a responsável pelo comportamento moralista dentro da política brasileira, ainda que seu caráter conspiracionista, em conjunto, auxiliasse para que mantivesse essa postura; todavia, pasmem, o conteúdo do germe fascista brasileiro, como típico do fascismo dependente, caracteriza-se não por ser de movimento, ou seja, orgânico dentro da sociedade e suas organizações de base, mas de cúpula, de Estado, é o fascismo de assalto. Esse foi gestado pela hoste udenista, mas os bruxos que fizeram a mistura dentro do caldeirão foram os policy makers da ditadura militar, foram, especialmente, Roberto Campos e Golbery do Couto e Silva. Gênios do mal.

O regime militar, portanto, não foi de contraofensiva à esquerda comunista, mas sim à esquerda nacionalista que se radicalizava em todos os âmbitos do Estado, inclusive dentro das Forças Armadas. Portanto, uma das missões, e essa central, da ditadura que se iniciava em 1964 era a destruição do que poderia restar de imaginário crítico da nacionalidade brasileira, e, ao farejar o fim das estruturas que permitiam seu mantenimento, a subserviência completa e combinada às potências centrais, ou melhor, aos Estados Unidos da América.

Eis que, voltando ao início de nosso artigo, perguntamo-nos e, parando para analisar, podemos perceber o poder que ficou para trás das organizações que verdadeiramente discutiam a nação brasileira. A esquerda centrou-se no “não-projeto” petista e em suas capacidades adaptativas dentro da política brasileira (usualmente à direita), e a direita, astuta, não se deixou iludir e, manipulando como mestra, tomou para si os símbolos nacionais, o moralismo e, auxiliada pelo “pensar” petista, utilizou da total fragmentação social para vencer uma guerra que todos já sabem os destinos: Socialismo ou Fascismo.

São nestas trincheiras combinadas que os partidos à esquerda estão enclausurados, mas falo aqui daqueles que se preocupam e sabem da importância do Brasil com “S” de Samba, Saci e São Jorge. É o desafio de todo aquele que sabe da importância que há na nacionalidade a vitória do socialismo tipicamente moreno, é o desafio de todo aquele que se diz nacionalista saber ler o seu ambiente, seu espaço, seus compatriotas e seus desafios rumo a um futuro rubro de comunhão e paz. É necessário que, para aqueles que se enfurecem pelas causas nacionais, se saiba embrenhar pela mata confusa da política brasileira. E, por fim, deve-se, como profissão de fé e de ciência, saber-se que a brasilidade é inimiga da desesperança e, portanto, companheira da vitória, da esperança, e do destino.

Por Pedro Bordinhão, estudante de Geografia/UFRJ, diretor da UEE/RJ e militante da Juventude Socialista do PDT.

  1. Interessante que o Ciro Gomes na imagem desse artigo não se encontra em sintonia com nenhum partido….

    Prestes vinculado ao símbolo do comunismo, Brizola vinculado ao símbolo da Internacional Socialista e também do PDT, Lula vinculado ao símbolo do PT…. Porém Ciro Gomes, que já teve filiado acho que sete partidos, não aparece vinculado ao PDT?????

    Já é frágil a vinculação de Ciro Gomes em relação ao fundador do PDT (Brizola)… imagina com seus seguidores ainda colocando Ciro Gomes acima do PDT, acima do programa do partido e acima da história trabalhista????

    Fico imaginando se ocorrer de um dia o Ciro Gomes sair do PDT para outro partido (PSD ou voltar ao PSB)… os “ciristas” que se fanatizam nas redes sociais se manterão trabalhistas no PDT ou seguirão o novo “mito” para onde ele for???????

    Fica para a reflexão.

Deixe uma resposta