Conclave, de Edward Berger, recebe oito indicações ao Oscar

Conclave de Edward Berger recebe oito indicacoes ao Oscar
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Assisti Conclave [2024], de Edward Berger, filme que recebeu nada menos que oito indicações ao Oscar, incluindo melhor filme, melhor diretor, melhor ator [Fiennes] e melhor atriz coadjuvante [Rosselini].

A indicação dos atores é muito justa, o elenco dá um verdadeiro show. Ralph Fiennes, sempre excelente, apresenta um Cardeal Lawrence magnífico em seus dramas de consciência e o peso de liderar e administrar o conclave que escolheria um novo pontífice. Isabela Rosselini, por sua vez, caiu como uma luva no papel de uma freira com integridade e lealdade férrea, e é dela a melhor cena do filme.

Conclave de Edward Berger recebe oito indicacoes ao Oscar

O thriller se sustenta o tempo todo, com ótimo ritmo e um bom texto. Há muito cuidado com os ritos e costumes da Cúria. A construção das disputas em torno da eleição, com as diferentes facções e posições dos católico-romanos, prendem a atenção o tempo todo, e há certas viradas muito interessantes em um clima investigativo que vai satisfazer todos os fãs do gênero.

Na maior parte do tempo há respeito com o sentimento religioso. Os Cardeais não são um bando de safados movidos por interesses mundanos. Esses interesses estão lá, assim como a corrupção e a ambição, mas há também um senso espiritual até mesmo em figuras claudicantes do ponto de vista moral. E em um momento crucial do filme, a direção explicita que a escolha do novo pontífice é feita pela inspiração do Espírito Santo.

Conclave de Edward Berger recebe oito indicacoes ao Oscar

MANS, como nem tudo são flores, o filme não esconde que é propagada descarada do progressismo dentro do catolicismo-romano. O representante da corrente mais conservadora ou tradicionalista é retratado como uma caricatura grotesca: racista, nacionalista italiano, grosseiro e, quando Berger resolve chutar o pau da barraca no terceiro ato, um defensor de uma cruzada pra expulsar os muçulmanos da Europa Ocidental [!!!????]. Há caricaturas também do clero liberal. Mas o protagonista, vivido por Fiennes — um cardeal correto, responsável, cioso com a Igreja, sem ambições próprias etc. — é ele próprio um liberal norte-americano que articula politicamente com outros liberais.

Conclave de Edward Berger recebe oito indicacoes ao Oscar

Quando tudo parecia se encaminhar para uma ‘posição média’ entre as diferentes vertentes, o filme dá uma virada nos minutos finais que praticamente desaba toda a obra. A propaganda deixa de ser sutil e se torna um outdoor político pendurado na telona do cinema e incomodando todos aqueles que queriam ver um bom filme ou que compraram o ingresso atraídos pela temática religiosa.

Uma pena.