A China ajuda a desenvolver o Brasil? Eu diria que não. Acho que o Brasil ajuda mais a China que o contrário.
Muitos podem alegar que a China investe no Brasil e isso desempaca projetos antigos que ajudam na viabilidade econômica do país. Mas isso é meia verdade.
Entre 2007 e 2023 o Brasil foi o quinto país onde a China mais investiu. No entanto, nos últimos anos, a China tem investido cada vez menos e, em 2023, ficamos atrás de países como Peru, Indonésia e Congo como prioridade para os chineses.


Em contrapartida à diminuição de investimentos chineses no Brasil, o nosso país só premia a China em vários setores, como o automobilístico. A China passou de nada para a maior fornecedora de carros estrangeiros no Brasil, o que degrada ainda mais nossa fuga de dólares.

Pode-se argumentar que a China vai resolver isso fazendo a fábrica da BYD na Bahia. Além da estimativa para que 60% dos carros da BYD vendidos no Brasil sejam fabricados aqui seja de longos 5 anos, a China trouxe, literalmente, até os peões de lá, gerando poucos empregos aqui.

Isso sem mencionar que o Governo Federal e o Governo da Bahia (ambos do PT) prejudicaram uma empresa brasileira (LECAR, que irá produzir o primeiro carro elétrico nacional) para preferir os estrangeiros da BYD.

Nem vou entrar em detalhes sobre coisas obscuras nesse investimento.
Mas, pelo menos, isso ainda é uma maquiladora sendo construída no Brasil. É algo atípico dos chineses, pois a maior parte é “brownfield”, ou seja, projetos já prontos, em que houve apenas troca de dono.
De 2003 até 2018, os chineses investiram US$ 54 bilhões no Brasil, mas 90% desses “investimentos” foram simplesmente compras de recursos naturais, como petróleo do pré-sal e minério, e compra de empresas privatizadas de energia, portos, aeroportos, infraestrutura etc.
Nos acostumamos a apenas apontar o dedo para os americanos e europeus, porém, agora, além deles temos os chineses.
“Ah, mas os chineses não impõe nada. Eles só compram o que a gente vende.”
Será mesmo?
Será que Dilma no Banco do BRICS não é um agradecimento pelos campos de petróleo?
Mais: O fato de o vice presidente da multinacional chinesa State Grid Brazil Holding, que é a empresa que tem as mais extensas linhas de transmissão de energia do país (15% da geração nacional), ser também o vice-presidente do conselho de administração da ONS não liga o alerta?
Em suma: os investimentos chineses no Brasil têm como grande característica serem predatórios. Eles compram as empresas já prontas e preferem setores de exploração primitiva como o petróleo e a mineração (recentemente compraram a maior mina de urânio do país na Amazônia).
Essa é a mesma dinâmica da nossa relação com os EUA? Não sei. Ainda é muito cedo para dizer e, também, para ver muita coisa.
Mas algumas perguntas ficam no ar: Nós temos um pesado déficit comercial com a China e compramos sua manufatura, além de os alimentarmos.
Vocês não acham que já está na hora de a China mais que comprar nossas estatais e começar a nos ajudar em tecnologia, ciência e complexidade econômica?
Não sou hater da China, só acho que não devemos deixar a tal “solidariedade do sul global” nos cegar para o óbvio.






