Todas as nações são formadas de símbolos que dão sentindo ao povo enquanto unidade. São incontroversos no imaginário popular. Familiares coletivos, como se todos nós tivéssemos o mesmo parente, falante e altivo.
Silvio Santos é o sonho do Brasil no século XX. O camelô que chegou lá, essa figura heróica e macunaímica que vive entre o vilão e o mocinho, a corda bamba dos que são grandes.
Foi o primeiro artista a ter uma emissora de televisão, no tempo em que isso era privilégio dos barões de nome eterno, Marinhos, Carvalhos e Blochs. O SBT, para além de suas peculiaridades, sempre foi a emissora dos artistas. Do artista em particular, Silvio Santos.
Empresário impiedoso, sobreviveu no mundo dos tubarões sendo um peixe-estrela. Trouxe seu carisma para as mesas de negociação e conseguiu o impossível: uma televisão aberta. Finalmente os artistas do Brasil teriam seu lugar, afinal.
Para além de qualquer baboseira militante, Silvio é a representação do Brasil, país que um dia sonhou em ser igual ao homem do baú, mas que hoje se perde dividido entre influenciadores trambiqueiros e casas de aposta.
O Rei Da TV deixa o Brasil mudo e o silêncio ecoará em cada criança que ouvirá de seus pais a história do camelô que virou bilionário com um sorriso e uma voz. Silvio é eterno, enfim.






