Quem não cita Ben-Hur, de William Wyler, como top 10 da história do cinema, não entende bulhufas do assunto, não tem coração, e deveria ser proibido de falar a respeito. Ok, estou exagerando para fins propagandísticos. O caso é que se trata de um filme incompreensivelmente subestimado só por causa de sua temática cristã.
E notem que sequer é um cristianismo tradicional. Trata-se mais de um humanismo cristão com um sabor de protestantismo tradicional.
Apesar disso, a figura de Cristo é apresentada de modo grandioso, enfatizando sua transcendência e divindade, na direção contrária do gosto dos cineastas das últimas décadas que, por dogma, querem humanizar tudo e a todos, e humanizar da pior forma possível, pois rebaixam até mesmo a humanidade.
Ben-Hur é um épico definitivo, grandioso, com um enredo de vingança, amor e redenção extremamente poderoso. Os arcos secundários prendem a atenção de tal modo que mal podemos chamá-los de secundários. Há diálogos cuja simplicidade e sutileza são uma espada atravessando o coração. A fotografia é esplendorosa, definitiva, e a cinematografia ainda hoje é insuperável.
E eu não poderia deixar de citar a atuação memorável de Charlton Heston e Stephen Boyd.
Ben-Hur é um tipo de arte, um tipo de cinema, que se perdeu. Nunca mais o teremos de volta. De lá para cá, pioramos muito como civilização, sociedade e pessoas para até mesmo apreciarmos três horas e meia de um filme tão magnífico, acompanhado de uma trilha sonora temática de imensa melancolia, heroísmo e transcendência.






