A verdade que nem todos querem admitir é que o ”tarifaço” [Make America RICH again] foi bom para o Brasil e, de modo geral, para a América Latina. Fomos taxados em nível muito menor que a Europa e a Ásia, os verdadeiros alvos ianques. Ou seja, em diversos setores teremos vantagens competitivas contra outros países no mercado ianque.
É sinal dos tempos quando a dita ”esquerda” posa de paladina do ”livre comércio”, uma noção que está no cerne do liberalismo. Ou talvez revele aquilo que falo há tempos, que a tal esquerda se tornou, nas últimas décadas, um antro neoliberal e pós-moderno.
Evidente que o modelo macro-econômico adotado pelo país nas últimas décadas é insustentável em um mundo que caminha para um período de protecionismo econômico e guerra comercial. Se já não fazia sentido antes, agora chega a ser sumamente ridículo.
As tendências desglobalizantes, por menores que sejam, também pedem outro tipo de abordagem das questões de defesa nacional. O ”livre comércio” foi planejado no pós II Guerra Mundial não só para manter a hegemonia ianque mas também como meio supostamente mais eficaz de diminuir os conflitos mundiais e chegar perto da utopia liberal da paz perpétua. Um mundo que se desfaz dessa miragem é um mundo à beira de uma nova corrida armamentista e da relativização total dos acordos e fóruns que davam coesão, ainda que mínima, ao direito internacional.
Há grandes perigos mas também muitas oportunidades para o Brasil nesse cenário. Mas dada a tibieza, cegueira, incompetência e decadência de nossas elites, o mais provável é que fiquemos perdidos e sejamos engolidos no processo. Nossas elites odeiam qualquer ideia de um Brasil grande, de uma indústria poderosa, de Forças Armadas respeitadas etc. Nesse momento, elas devem estar buscando desesperadamente uma saída para continuarem lambendo as bolas alheias nesse novo cenário do século XXI.






