Pontos importantes para pensar o bicentenário da Independência do Brasil

Pontos importantes para pensar o bicentenario da Independencia do Brasil
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Por André Luiz Dos Reis – Para pensar a Independência do Brasil, cujo bicentenário comemoramos este ano, os seguintes pontos estão entre os mais importantes:

i. As correntes historiográficas que alegam a precedência da identidade brasileira sobre a formação do Estado independente são superiores. Existe tendência que defende que o brasileiro nasce DEPOIS do Estado, o que reduziria o 7 de setembro a um acordão entre elites, quando muito. Mas esta é uma tese difícil de apoiar. Existia[m] sim identidade[s] coletiva[s] que se percebia[m] como brasileira[s];

ii. Dom João VI é tão ou mais importante para o processo de independência quanto Dom Pedro I e José Bonifácio. Ele tem de ser considerado como um dos maiores estadistas e políticos de nossa história, e o 7 de setembro em uma perspectiva de média duração que se inicia em 1808;

iii. A ilustração em Portugal multiplicou o significado do termo Império. A noção tradicional lusitana implicava em um expansionismo ilimitado cujo fim era o domínio universal sob a bandeira do cristianismo e a unidade da coroa e da identidade portuguesa. No Brasil, a noção de Império se ligou à de unidade do território continental americano;

iv. O Estado imperial construído nas primeiras décadas de Independência NÃO era mera continuidade do lusitano nem da era colonial. Neste ponto, José Murilo de Carvalho e outros estão corretos. O Estado brasileiro tem de ser visto em perspectiva de mais curto prazo, criado pela engenhosidade e pela capacidade política de uma das mais hábeis elites intelectuais e políticas das Américas, e que refletiam sobre a formação do novo país a partir de um espaço privilegiado, o Rio de Janeiro, centro político cujo papel foi determinante para o sucesso do empreendimento.

v. O ponto acima nos leva a uma questão fulcral: a historiografia reflete tendências ideológicas dos pesquisadores ao se recusar a mergulhar a fundo na singularidade do processo de independência brasileiro, que implicou a interiorização da metrópole. Preferem destacar as especificidades da independência ianque porque a encaram sob ótica progressista, como se existisse um sentido político pré-definido na história e a partir do qual avaliamos posições passadas e pretéritas. O caminho para a soberania brasileira foi de imensa especificidade e ela ainda não é explorada de modo suficiente pela Academia;

vi. A manutenção da unidade territorial brasileira se deve a múltiplos fatores. E um daqueles que deveriam ser trazidos mais à luz é a diferença da formação entre a monarquia espanhola e a portuguesa. A Espanha se molda como uma monarquia compósita, uma instância de poder que era referência de diferentes corpos políticos que continuam a existir enquanto tais, e que jamais conseguiu dar uma unidade administrativa, fiscal e outras para as diferentes ‘partes do Império’ nem mesmo na Península Ibérica [vejam Perry Anderson para as limitações ferrenhas do absolutismo espanhol, que foram uma das causas de sua derrota nas guerras pela hegemonia no continente]. Portugal, pelo contrário, se molda como “Monarquia nacional”. A Coroa portuguesa estava vinculada à identidade e à nacionalidade portuguesa, e esta foi uma das marcas mais fortes de sua expansão pelos oceanos e continentes. Este senso de unidade ‘nacional’ seria herdado pelo Brasil e redimensionado em uma identidade de ”portugueses da América”;

vii. Já está mais que demonstrado, inclusive por pesquisa empírica e fortes dados de História econômica, que a América Portuguesa possuía uma sociedade vívida, diversificada e própria desde fins do século XVII, incluindo um mercado interno com flutuações independentes do internacional [não éramos só um conjunto de empresas de exportação], e elites supra-regionais imprescindíveis para o comando e o exercício do domínio no território e em sua burocracia. O Brasil tinha sua própria sociedade de ”antigo regime” nos trópicos, que embora vinculada a diversos interesses na rede atlântica lusitana, não se reduzia a ela e tinha uma lógica toda própria e inescapável.

E viva o Brasil!

Por André Luiz Dos Reis

  1. Já é tempo de uma reconciliação de nós brasileiros com nossa própria História, e o tributo, o reconhecimento e a gratidão com nossos antepassados na edificação do ideal nacional e de ter prevalecido o ideal de Pátria Brasileira, a despeito de todas as torpezas que foram urdidas para que isso não prevalecesse.

    Qualquer pessoa minimamente instruída da história brasileira, da VERDADEIRA história brasileira, acredito eu que perceberá as grandessíssimas correlações que o Brasil de hoje a Era Imperial possuem em comum. Os debates são invariavelmente os mesmos e convido a quem me ler, que faça essa investigação e é certo que concordará comigo. Duque de Caxias e José Bonifácio realizaram na América Portuguesa exatamente o que Bolívar, San Martín e Sucre foram boicotados em fazer na América espanhola

  2. Pessoal, do Disparada, poderiam fazer o favor de publicar o que posto?

    Parece que tudo que posto aqui não agrada a moderação, de maneira não há debate algum sobre nada.

    Interessante ver o padrão do site quanto a quem comenta. Ou será só comigo?

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