O influencer Pablo Marçal, candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PRTB, enfrenta uma série de controvérsias e processos judiciais que ameaçam sua campanha eleitoral. Essas acusações abrangem desde crimes cometidos no passado até investigações recentes sobre sua conduta em atividades privadas e na atual eleição. As implicações desses processos são sérias e podem culminar na cassação de sua candidatura, especialmente à medida que novos detalhes sobre seu histórico e de seus aliados vêm à tona.
Em 2010, Marçal foi condenado por furto qualificado devido à sua participação em uma quadrilha que aplicava golpes digitais. Na época, com apenas 18 anos, ele era responsável pela manutenção dos computadores usados pela quadrilha e pela coleta de e-mails de possíveis vítimas. A operação que resultou em sua condenação foi conduzida pela Polícia Federal, e ele foi sentenciado a quatro anos e cinco meses de prisão em regime semiaberto. Contudo, a condenação prescreveu antes do trânsito em julgado, e Marçal nunca cumpriu a pena. Este episódio, embora antigo, ainda repercute negativamente em sua trajetória pública e é frequentemente mencionado por adversários políticos durante a campanha eleitoral.
Mais recentemente, Marçal tornou-se alvo de uma investigação decorrente de um episódio de 2022, quando liderou uma expedição ao Pico dos Marins, na Serra da Mantiqueira, envolvendo 32 pessoas. O grupo, sem o devido preparo e enfrentando condições adversas, acabou se perdendo, o que levou à abertura de um inquérito por tentativa de homicídio privilegiado. O caso ainda está em andamento, com a Polícia Civil recebendo um prazo adicional de 90 dias para concluir as investigações. Este incidente levanta questões sobre a responsabilidade e o julgamento de Marçal em situações de risco, especialmente em um contexto onde vidas estavam em perigo.
Além disso, Marçal está envolvido em outro inquérito relacionado ao reality show “La Casa Digital 3”, no qual ele é acusado de colocar em risco a vida dos participantes durante as provas do programa. Um ex-participante relatou ter sido vítima de agressões físicas e verbais, além de situações extremas que comprometeram sua saúde. A denúncia foi formalizada, e o caso está sendo julgado na 2ª Vara Criminal e do Júri de Itu, em São Paulo.
No âmbito eleitoral, o Ministério Público Eleitoral (MPE) solicitou a abertura de um inquérito para investigar Marçal por supostos crimes eleitorais. Essa ação foi desencadeada por uma notícia-crime apresentada pelo candidato do PSOL, Guilherme Boulos, que acusou Marçal de praticar calúnia e difamação, além de outras práticas ilícitas.
O MPE também está investigando alegações de que Marçal estaria usando táticas irregulares para promover sua campanha nas redes sociais. De acordo com uma representação do MDB, Marçal teria cooptado colaboradores para disseminar seus conteúdos de forma abusiva e ilícita em redes sociais e serviços de streaming, em uma estratégia que estaria violando as regras eleitorais.
A denúncia se baseia em uma reportagem do jornal O Globo, que revelou que Marçal estaria incentivando a formação de uma “constelação” de contas nas redes sociais por meio de promessas de ganhos financeiros para os apoiadores. Essas contas replicariam não apenas o conteúdo oficial de Marçal, mas também materiais não veiculados por ele diretamente, ampliando assim sua influência online, e pagando por propaganda negativa contra seus adversários, o que é ilegal.
O cenário se agrava ainda mais com as investigações envolvendo seus aliados. Tarcísio Escobar de Almeida, ex-presidente estadual do PRTB em São Paulo, e seu sócio Júlio César Pereira, conhecido como Gordão, foram alvos de investigações policiais que revelaram suas ligações com o tráfico de drogas. Ambos eram homens de confiança de Leonardo Alves Araújo, o Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB e um dos principais apoiadores da candidatura de Marçal. Escobar assumiu a presidência estadual do partido em março de 2024, mas foi afastado apenas três dias depois, oficialmente por não possuir título de eleitor, embora tenha continuado a se apresentar como líder estadual do PRTB até que o caso fosse revelado pela imprensa em maio.
As investigações contra Escobar e Gordão começaram em 2020, quando a polícia apreendeu drogas, armas e um pendrive contendo informações sobre o controle de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) com Francisco Chagas de Sousa, o Coringa. As apurações revelaram que Coringa estava envolvido no tráfico interestadual de drogas e que Escobar e Gordão participavam do esquema, utilizando automóveis como forma de pagamento por drogas que adquiriam no Paraná e revendiam em larga escala em São Paulo e na Paraíba. Conversas telefônicas interceptadas pela polícia indicaram que Escobar e Gordão tinham pleno conhecimento de que os valores entregues a Coringa seriam usados para a aquisição de drogas, gerando altos lucros.
Apesar das graves acusações, Escobar continuou a participar ativamente de eventos do PRTB, inclusive ao lado de Pablo Marçal, durante o processo de confirmação de sua candidatura. Entretanto, após o Estadão revelar o indiciamento de Escobar por associação ao PCC, houve uma ruptura entre ele e Leonardo Avalanche. Escobar e outros ex-aliados acusaram Avalanche de traição e má gestão do partido, levando a uma cisão interna que complicou ainda mais a situação de Marçal. O envolvimento de Escobar e Gordão no tráfico de drogas e sua proximidade com figuras importantes do PRTB colocaram em xeque a integridade da campanha de Marçal, que agora enfrenta a difícil tarefa de se desvincular dos escândalos que permeiam os bastidores de seu partido.
Com o acúmulo de acusações e investigações, a candidatura de Pablo Marçal enfrenta sérios obstáculos. O histórico de denúncias contra ele, incluindo uma condenação prescrita e investigações de aliados acusados de ligação com o crime organizado, combinado com as acusações de ilegalidades durante a própria campanha, levanta sérias dúvidas sobre a viabilidade de sua candidatura. A soma dessas controvérsias pode, eventualmente, culminar em impedimentos legais que barrariam sua participação na disputa eleitoral para a Prefeitura de São Paulo, um cenário que já começa a ser considerado por analistas políticos.
Com informações de O Globo, Estadão e Metrópoles.






