Dino é uma espécie de Denílson da política. O jogador famoso pela sua passagem no São Paulo e no Betis era conhecido por sua habilidade de dribles. Um jogador cheio de recursos, mas pouco efetivo, de poucos, pouquíssimos, gols. Dino é habilidoso, ótima oratória, talentoso, mas é um cara que dribla tudo. Critica por exemplo, Wilson Witzel, mas, ao mesmo tempo, não se compromete com qualquer confronto de frente. Assume um tom conciliador. Faz o mesmo com todas as pautas. É contra, a favor, e muito pelo contrário.
A parte mais interessante da entrevista é quando fala de uma reforma tributária progressiva. Defende a medida. O jornalista pergunta por qual motivo, em 13 anos de governos petistas com participação do PCdoB, isso não foi feito.
Dino diz, simplesmente, que não existiu correlação de forças política e que isso é lamentável, mas que hoje o tema é urgente – hoje e não antes?
Agora pense.
Lula correu o Brasil explicando a proposta e chamou o povo para as ruas defendendo a medida?
A CUT fez paralisações e greves defendendo a medida?
A UNE, dirigida pela UJS, fez uma campanha nacional pela reforma tributária?
PT, PCdoB e afins, colocaram sua militância na rua para pressionar o Congresso pela aprovação?
Artistas, intelectuais e professores ligados ao campo democrático-popular realizaram ciclos de debates nacionais defendendo a medida?
As respostas são: não, não, não, não e não.
A correlação de forças política é obra do Menino Jesus?
Deu uma boa volta no jornalista. Mas fica a questão: se antes, com Lula com 80% de popularidade, não tinha correlação de forças, por qual motivo agora vai ter?
E tome drible.
Por Jones Manoel.




![Em dois momentos, um no séc. XIX e outro no séc. XX, os militares brasileiros decidiram atuar na política aberta e os resultados finais desse protagonismo mostraram-se semelhantes: fracasso na condução econômica nacional, divisão interna das Forças – com o grave comprometimento da hierarquia e disciplina –, desgaste da imagem das Forças perante a população e descrédito frente às forças políticas nacionais. Em ambos os casos, ao final, os próprios militares viram-se obrigados a reconhecer a necessidade do abandono da política aberta, em prol da manutenção de sua coesão interna e preservação de sua imagem como corporação militar, retornando às suas atribuições institucionais. Como diz uma famosa música de 1969, interpretada por Elvis Presley[4]: Well the world turns; e eis que chegamos ao séc. XXI. Façam suas apostas.](https://image.disparada.com.br/wp-content/uploads/2020/11/11120020/img-militares-bolsonaro-150x150.jpg)

