Há inconformismo com o desempenho brasileiro nas Olimpíadas. Meus alunos, tanto adultos quanto crianças, se sentem frustrados com o quadro de medalhas. Os adolescentes especialmente cravam que estamos indo muito mal.
É senso comum que não somos uma potência olímpica. As melhores posições do país nas Olimpíadas do pós-guerra nos colocaram apenas no top 15, e isso fruto do ciclo da Rio 2016. É provável que superemos as 20 medalhas mais uma vez, ainda que com número menor de ouros.
As causas são multifatoriais, e passam também pela falta de tradição na maior parte das modalidades e por ausência de confiança.
Mas não concordo com a avaliação de que não existam severas restrições materiais ao nosso desempenho esportivo. Os atletas que estão nos Jogos recebem boa ajuda governamental e muitos têm apoio das Forças Armadas. [Por isso, é plenamente justificável e compreensível quando pedem desculpas no caso de desempenho insuficiente.]
Mas são investimentos que se dão em atletas já formados, visando a manutenção do alto desempenho. Esse tipo de auxílio é fundamental e nos garantiu um salto no mundo olímpico neste século.
Mas falta ainda o principal: programas de garimpagem e formação na BASE. Esse é o real gargalo, o obstáculo que impede que tenhamos uma quantidade muito maior de atletas de alto nível capazes de subir num pódio.
Nos esportes em que há projetos consistentes de descoberta e formação, o sucesso brasileiro é evidente. A Ginástica Artística é a modalidade mais óbvia desse trabalho, que em uma geração e meia nos colocou no mesmo patamar de escolas tradicionais, como a do leste europeu. Mas podemos dizer o mesmo do judô, do vôlei, do surfe.
É um vexame nossa miudeza no Atletismo, por exemplo. Programas fortes nessas modalidades, realizados pelos governos e por clubes, seriam suficientes para nos colocar no top 10 do quadro de medalhas. Que, impossível não notar, é frequentado por países de renda elevada ou por potências geopolíticas.
Mas não dá para exigir muito mais de um país que só lembra dos esportes olímpicos de quatro em quatro anos, e que de quatro em quatro anos redescobre que está muito aquém do seu potencial.
Mentalidade vencedora só se desenvolve a partir da geração uma miríade de atletas com potencial de vencer. Porque o mais comum é mesmo o fracasso.






