Velório em Copacabana e o pós Bolsonarismo

Velorio em Copacabana e o pos Bolsonarismo
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O bolsonarismo está cansado da moderação de Bolsonaro. Isso ficou evidente na manifestação deste domingo. Os eleitores do ex-presidente foram desmobilizados pelo seu republicanismo. Esperavam palavras duras contra o STF, ataques frontais, guerra aberta ao consórcio mídia-Supremo. Mas sabiam o que veriam – e por isso ficaram em casa: um homem fraco, combalido e com medo de ir para a cadeia. O bolsonarismo não precisa mais de Bolsonaro.

Erra quem aposta na moderação. O brasileiro está cansado, a comida está cara, o custo de vida nas grandes cidades é pornográfico e ninguém aguenta mais Lula, caquético e desconectado da realidade.

Tarcísio esteve presente, assim como Valdemar Costa Neto, que fez o pior discurso de um homem público já visto neste país – e olha que a concorrência é grande. Voltando ao governador de São Paulo, espera-se que ele assuma o espólio do capitão. Ele preferia esperar, mas sabe que, na política, não se pode perder o bonde da história. Inclusive porque há também Nikolas, com sua incontestável capacidade de comunicação. Esperar o menino crescer é criar os corvos que lhe comerão os olhos. Se Tarcísio não se colocar à frente do espólio, perderá o bonde.

A corrida por fora não tem apelo algum. Caiado tentará a mesma fórmula de “direita moderada” com a qual governa Goiás, mas está fora do espírito do tempo. O eleitor de direita não quer discrição; pelo contrário, está ávido por um Robespierre para chamar de seu. Tarcísio percebeu isso e tem dado sinais nesse sentido, mas evidentemente esse não é seu perfil.

Os filhos do ex-presidente são uns estropícios, com exceção de Flávio, que é pilantra demais para se destacar. Bolsonaro tentará emplacar algum deles? Talvez. A certeza é que não conseguirá.

O velório de Bolsonaro em Copacabana lembrou Collor na véspera de cair, quando fez sua famosa convocação num evento com taxistas – o que acabou resultando nos caras-pintadas, que, junto com Pedro Collor, sepultaram o governo do irmão. Collor cavou a própria cova – e fez questão de assinar seu atestado de óbito. Bolsonaro fez o mesmo nesta manhã.

Outro destaque dessa festa triste foi o histriônico Silas Malafaia, com seu discurso inflamado e radical. No mais, o mesmo beabá de sempre: Clezão, presos políticos e anistia. Toda essa pataquada que sabemos que não dará em nada. Não haverá anistia e, em breve, Bolsonaro fará companhia aos lunáticos golpistas. Se fosse o capitão, já deixava a mala pronta. A manhã de hoje deixou claro que não haverá maiores solavancos. Alexandre de Moraes pode avançar.