Nas religiões afro-brasileiras, aprendi a respeitar os mais velhos. Não pelo o mais velho em si, mas respeitar os mais velhos é respeitar o Tempo. Este, sim, implacável.
E com o respeito ao mais velho Vivaldo Barbosa, preciso tecer alguns comentários sobre seu artigo no Brasil 247.
Vivaldo, aquele foi deputado federal e presidente do PDT-RJ, nas eleições de 2018 estava agarrado com o senador Romário (Podemos-RJ). Romário, meu ídolo dentro de campo, nunca votou a favor em defesa da pátria e dos direitos sociais como senador. Nenhum voto.
E Vivaldo sente-se no direito de criticar Ciro, Lupi e PDT. A crítica é livre, mas completamente injusta e incoerente.
Ciro já disse que nacionalizaria todas as privatizações de Bolsonaro. Diz que vai revogar as reformas neoliberais dos últimos tempos. Ciro fala abertamente, e como nenhum presidenciável, dos crimes de lesa-pátria e contra os mais pobres do Brasil. Preza pelo legado getulista de industrialização e direitos dos trabalhadores. Isso está em lives, tweets, entrevistas.
Neste sentido, cai por terra o argumento de que este não posiciona pelos direitos e movimentos populares.
Entendo que a crítica a Ciro possa fazer sentido quando este mal do caudilhismo latino-americanos. Mas é inegável que Ciro tenha um posicionamento firme defendendo Getúlio Vargas e Leonel Brizola. Um social-democrata profundamente nacionalista, que aprendeu com equívocos do passado e a maior voz nacionalista entre os grandes quadros do progressismo brasileiro.
Carlos Lupi, outro difamado por Vivaldo, é um exímio trabalhista. A crítica de Vivaldo é puramente moralista, pequeno-burguesa e rancorosa de quem perdeu e, como criança mimada, não sabe perder na disputa política.
Lupi segurou as pontas quando o Partido não tinha perspectiva nenhuma de poder. E isso já acontecia quando Brizola estava vivo.
Hoje temos prefeituras exemplares, quadros jovens eleitos em todo o país com um discurso completamente alinhado ao Trabalhismo.
Nenhum Partido empoderou tanto seus movimentos de base quanto o PDT. Além de estrutura, todos os movimentos tem direito a voz e voto nas suas respectivas executivas.
Qual Partido pode dizer que tem essa democracia interna?
Evidente que não somos um partido perfeito. Mas a maturidade devia ensinar a complexidade das contradições. O PDT sempre teve as suas. Sempre. Lembra dos bigorrilhos do PTB? E das alianças de Brizola no Rio Grande do Sul? Isso não era Trabalhismo?
Vivaldo agora se agarra ao PT. Apoiou o Haddad em 2018 e Benedita em 2020. Tudo bem, direito dele. Mas apoiou aqueles que, no eixo central, já dizem que não dá pra recuperar o Pre-Sal, mantiveram o tripé macroeconômico tucano, fizeram parceria com a polícia federal dos EUA e são ligados diretamente ao Partido Democrata, após espionarem a Petrobras.
Se agarra em quem foi inimigo de Brizola, dos CIEPs e prejudicou todas as crianças e famílias pobres do RJ nos anos 80 e 90. E Vivaldo viveu as crocodilagens do PT-RJ na época.
Triste fim de Vivaldo. Sem grupo político, sem voto, sem expressão, vive apenas de um “local de fala brizolista” nos espaços petistas pra bater em Ciro, em Lupi e no PDT, partido que deu tudo a ele.







