Dever moral diante da fala do Ministro das Finanças de Israel sobre Gaza

Dever moral diante da fala do Ministro das Financas de Israel sobre Gaza

Por Arthur Pentagna – “Existe um plano de negócios, um plano feito pelas pessoas mais qualificadas, e ele está na mesa do presidente Trump, sobre como isso tudo (Gaza) pode virar uma mina de ouro imobiliária. (…) Já comecei as negociações com os americanos, falo isso sem brincadeira agora, porque também tenho exigências. Pagamos muito caro por essa guerra, então precisamos dividir como vamos ganhar uma porcentagem no mercado de terras em Gaza depois. E agora, sem brincadeira, já fizemos a fase da demolição. (…) Agora precisamos construir, o que é muito mais barato.” Essas são palavras do ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich.

Nada que fosse escrito aqui conseguiria ser mais chocante que essa citação direta. Segundo o próprio ex-chefe do Estado Maior israelense, Erzi Halevi, mais de 200 mil palestinos já foram feridos ou mortos em Gaza, cerca de 10% da população do enclave. Esse massacre, porém, não é nada mais que um negócio imobiliário para o governo israelense. Como piratas dividindo o butim, a questão agora resume-se a qual porcentagem cabe à Israel e qual cabe aos EUA. Pouco importa que Gaza seja hoje um verdadeiro cemitério a céu aberto.

A história da humanidade é prolífica em genocídios. Provavelmente, contudo, nenhum foi tão fartamente documentado como o massacre que ocorre em Gaza. O que não faltam são vídeos, depoimentos, denúncias vindas das mais diversas fontes. Já são quase 200 jornalistas mortos desde o início do conflito, um número maior do que o de qualquer outra guerra na história. Praticamente todos os hospitais de Gaza já foram destruídos, e os poucos ainda de pé foram danificados. Foram registrados ataques a creches, escolas, e até mesmo a única igreja católica do território foi bombardeada.

Segundo a ONU, cerca de um em cada quatro palestinos em Gaza está passando fome, com a projeção de que mais de 200 mil gestantes e crianças de até cinco anos de idade sofrerão com desnutrição aguda. Como se a fome já não bastasse, ainda de acordo com a organização internacional, mais de 600 palestinos foram assassinados enquanto buscavam comida em centros de distribuição de alimentos. Tais denúncias são reforçadas até mesmo por um oficial militar estadunidense, Anthony Aguilar, que afirma ter visto crimes de guerra sendo cometidos em Gaza, com civis desarmados e famintos sendo alvejados deliberadamente. Recentemente, uma comissão de inquérito da ONU concluiu o óbvio: há um genocídio em curso.

A sensação de impotência frente a tamanha iniquidade é grande. Mas não pode ser paralisante. Embora individualmente sejamos pequenos, devemos fazer o que está ao nosso alcance para denunciar esse massacre, que certamente ficará marcado como uma das páginas mais tristes da humanidade. É um dever moral de todos aqueles que ainda têm um fio de empatia dentro de si.

Por Arthur Pentagna

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