Por Marcos Andrade – Uma geração de universitários de famílias pobres no Brasil se beneficiou de políticas públicas como o REUNI, o PROUNI e o FIES no início do século XXI. Muitos, em 2013, foram às ruas por um transporte urbano de massa e de qualidade, porque queriam menos tempo nos engarrafamentos e passagens gratuitas para poder estudar e, assim, sonhar com um futuro melhor.
Agora, em 2024, passada uma década, muitos são pais e mães, buscando um futuro melhor para suas famílias.
No entanto, após conquistar o grau universitário, esperavam uma vida melhor, mas encontraram exploração e desrespeito. São profissionais autônomos sem direitos trabalhistas e previdenciários, submetidos a longas jornadas e com remuneração incerta. Outros, apesar de terem carteira de trabalho assinada, são submetidos a regimes de trabalho abusivos e com baixa remuneração. A maioria desses jovens trabalhadores está presa em uma rotina que não permite uma vida além do trabalho.
O sonho foi substituído pela realidade da exploração. O direito à educação universitária, que parecia uma porta para o futuro, se revelou insuficiente para garantir uma vida digna para suas famílias.
É fundamental que o governo federal dê uma resposta rápida e eficaz a essa demanda, mobilizando sua base de apoio no Congresso Nacional. O governo federal erra ao colocar maior ênfase no controle de gastos públicos, sem perceber que a demanda pelo fim da escala 6×1 é o assunto mais comentado nas últimas semanas pelos brasileiros nas redes sociais.
Em 2013, as big techs desempenharam um papel que permitiu que as manifestações se espalhassem rapidamente. Tais plataformas podem ser utilizadas para manipular a opinião pública e potencializar insatisfações, colocando em risco a soberania nacional. O Brasil está novamente vulnerável aos interesses de grandes corporações, que podem influenciar a opinião pública por meio de algoritmos e publicidade direcionada.
As decisões políticas precisam ser soberanas e independentes, ou seja, as decisões se dão na relação da sociedade com suas instituições políticas, dentro dos marcos constitucionais, sem interferências de grandes corporações estrangeiras que queiram mais uma vez desestabilizar o Brasil, que exerce um papel geopolítico muito importante na atualidade.
Nesse momento geopolítico conturbado, com a eleição de Trump e as movimentações dos BRICS pela desdolarização da economia mundial, a soberania nacional depende da capacidade do Brasil de proteger seus interesses estratégicos e, ao mesmo tempo, tratar de suas questões sociais urgentes.
Por Marcos Andrade, engenheiro e mestre em educação.
