Tenho visto petistas citarem a vice de Ciro em 2018, Kátia Abreu, pra tentar “justificar” Alckmin como vice de Lula. Gregório fez isso ontem em seu programa. “Os dois são de direita”. É verdade, os dois são conservadores. Mas há diferenças muito expressivas entre ambos.
Kátia Abreu foi uma das ministras mais atuantes no impeachment de Dilma. Defendeu a presidente até quando seus aliados mais próximos se acovardaram. Enfrentou a cúpula do PMDB (Temer, Jucá, Renan, Geddel, todos agora neoaliados de Lula) na época sofrendo alto custo político.
No governo Temer, Kátia foi contrária à aprovação do Teto de Gastos, principal medida econômica do governo, e de tanto enfrentar seu partido foi expulsa. Sofreu um custo político incontornável na sua base eleitoral, de empresários ruralistas. Fez o que fez por convicção.
Na mesma época Alckmin fazia o quê? Conspirou pelo dito “golpe”, ajudou Temer na governabilidade, defendeu a prisão de Lula, alimentou a o moralismo anti-política que deu na extrema direita. Kátia vem do setor produtivo rural, Alckmin representa a oligarquia financeira paulista.
Se o PT e seus aliados tivessem um mínimo de vergonha nunca ofenderiam Kátia Abreu, por toda a coragem que ela mostrou na hora mais difícil de todas. Assim como Ciro, diga-se de passagem. Embora diferentes ideologicamente, os dois se assemelham sim na convicção de seus valores.
Mas o tipo de aliança que o PT faz, despolitizado, não comporta políticos dessa natureza. É mais fácil negociar com os traidores, os ladrões, os oportunistas, todos aqueles que tenham moral frouxa. Está aí o porquê dessa “amplitude” com Alckmin e afins.
