Trump e os EUA

Trump e os EUA

Por Luiz Carlos de Oliveira e Silva – Acho que a divisão interna nos EUA nunca esteve tão profundamente acirrada como agora. Pelo menos, desde o fim da Guerra de Secessão.

A extrema-direita estadunidense, liderada por Trump, expressa os interesses de uma parcela considerável da burguesia, burguesia essa excluída da farra do complexo industrial-militar.

A extrema-direita estadunidense divide a burguesia e a sociedade de cima abaixo, como nenhuma outra extrema-direita mundo afora. Na Alemanha, na França, no Brasil, por exemplo, a extrema-direita não divide a burguesia como o faz a extrema-direita estadunidense.

Os partidos Democrata e Repúblicano, até onde eu estou informado, nunca estiveram tão distantes um do outro como vem acontecendo desde a primeira vitória de Trump, em 2016.

Esses dois partidos representam dois projetos distintos para o enfrentamento do declínio do Império. Representam dois grupos de interesses com poucos pontos em comum…

Hollywood, sempre atenta ao “clima geral”, já começa a fazer filmes distópicos com situações de guerra civil. Não sem razão, me parece…

Um dos símbolos da “unidade burguesa”, nos EUA, é o Capitólio. Quando Trump incentiva, desde a Presidência da República, o ataque a esse símbolo, ele dá mostras de que a parcela da burguesia que ele representa acredita que o seu futuro depende, senão da derrota, pelo menos do enfraquecimento do “establishment”, do “sistema”, isto é, do complexo industrial-militar e sua burocracia anexa.

Quando, no segundo dia de seu segundo mandato, Trump anistia centenas de penalizados pelos ataques ao Capitólio, ele reafirma o desprezo por aquele símbolo de unidade burguesa porque a parte da burguesia que ele representa não quer a unidade burguesia sob a hegemonia do complexo industrial-militar e da burocracia anexa.

A situação dos EUA, caso se agrave a tensão ora em curso, será, em médio prazo, de pré-guerra civil…

Por Luiz Carlos de Oliveira e Silva

Sair da versão mobile