‘Napoleão’ é mais uma mostra da mediocridade dos filmes de conteúdo ‘histórico’ de Ridley Scott

Napoleao e mais uma mostra da mediocridade dos filmes de conteudo historico de Ridley Scott

Quase todos os filmes de conteúdo ‘histórico’ de Ridley Scott são fracos. Deixo ”Gladiador” fora deste veredicto, mas nem todos concordariam. ”1492” é esquecível, ”Cruzada” é muito fraco [e também uma típica propaganda anti-religiosa, comum na Hollywood daqueles anos], ”Robin Hood” é constrangedor, “Exodus” é patético.

O que dizer de “Napoleão”? É de uma mediocridade assombrosa.

A capacidade de Hollywood de diminuir e até anular o brilho de certas personalidades históricas é assombrosa. Algo que tem de ser estudado com lente clínica.

Ridley Scott poderia retratar Napoleão como o fundador do mundo contemporâneo. Poderia lê-lo como um sociopata. Um gênio militar que inventou a guerra contemporânea. Um enxadrista político. E até mesmo como um anticristo.

Mas por trás de um talentoso general e oportunista político, temos só um cara dependente das figura materna e da mulher, que ele ama de tal maneira que nem sente a honra afetada por ser corno. Detalhes como sua inaptidão pra dar prazer sexual à Josefina parecem ter um peso incompreensível na obra.

“Ah, mas as cartas que ele trocou com a Josefina, hein?!!” Se isso pelo menos fosse usado pra criar uma história de amor e paixão minimamente interessante, tudo bem, até aceitaria o foco. Mas é tudo transformado em banalidade, miudeza etc.

Além disso, o diretor é britânico. Meio de mau gosto isso. Parece provocação. Tudo nas cenas de Waterloo parece provocação.

Enfim, nem as cenas de batalha são memoráveis aqui. As reproduções de episódios magníficos [a conquista do Egito, a coroação, a invasão e posterior incêndio de Moscou etc.] não tocam nenhuma nota mais profunda no telespectador. A cenografia, a fotografia é mediana. E a atuação de Phoenix é, no máximo, preguiçosa. O texto também não merecia muito mais.

O paralelismo entre Maria Antonieta e Josefina é ridículo. O retrato do Czar Alexander I, uma das figuras mais fascinantes dos Romanov e do século XIX, é pobre de dar dó. Que bom que Ridley Scott fez Alien e Blade Runner logo no início da carreira. Fiquemos com essa imagem.

Sair da versão mobile